O finlandês Miky chegou ao Lajedo de Pai Mateus com uma enxaqueca de dar dó. Provavelmente causada pela longa viagem e o fuso horário.
Instalou-se num dos chalés do hotel-fazenda Pai Mateus e sem tomar remédio partiu para a mais esperada excursão da propriedade: conhecer o lajedo, formações rochosas de milhares de anos.
Meia hora depois de cruzar urtigas onde beija-flores depositam seus ovos numa forma de camuflar os ninhos, casinhas de joão-de-barro e de se encantar com o cheiro do alecrim do campo, Keke era só alegria: a dor havia desaparecido.
Mesmo assim, seguiu os conselhos do guia e meditou na caverna onde o ermitão Mateus viveu durante décadas e, segundo dizem, promovia curas espitiruais.
O Lajedo de Pai Mateus tem mesmo esse lado místico e por sua natureza exótica já foi cenário de filmes e de concertos sinfônicos. Nele, inscrições rupestres feitas por índios que habitaram a região há três mil anos, podem ser observadas. Rios e lagos contornam imensas formações rochosas, caso da Pedra do Capacete uma das mais espetaculares do lugar.
Localizado no município de Cabaceiras - o mais seco do País -, a apenas 65 quilômetros de Campina Grande, é o local ideal para aqueles que buscam recarregar suas energias nas amplas paisagens rochosas que caracterizam o Cariri paraibano.
Jardins de cactos e bromélias circundam e enfeitam enigmáticos blocos arredondados de granito, que escondem vestígios dos povos indígenas e animais pré-históricos que há milênios habitaram a região.
Emas, seriemas, entre outros animais silvestres, são avistados em meio à paisagem intocada. Não foi por acaso que esse cenário foi escolhido para ambientar o premiado “O Auto da Compadecida”.
O Hotel-Fazenda Pai Mateus possui 22 chalés equipados com ar condicionado, frigobar, ventilador de teto, camas king size e varandas com redes. Oferece ainda piscina, sauna à lenha, quadra para vôlei ou futebol e infra-estrutura para eventos, além de uma caprichada culinária regional.
O Vale dos Dinossauros
As trilhas da fazenda e da região podem ser percorridas a pé, de bicicleta ou a cavalo, sempre com o acompanhamento de guias locais.
Os que buscam aventura encontram ali condições ideais para a prática de mountain-bike, rapel e bouldering.
O hotel é ainda ponto de partida para quem quer conhecer outros atrativos turísticos da região como o Itacoatiara do Ingá e o Vale dos Dinossauros.
A Paraíba abriga esses sítios arqueológicos e paleontológicos que, misturados a formações geológicas curiosas, dão a chance do turista participar de roteiros alternativos.
Inscrições rupestres feitas há milhares de anos, pegadas de dinossauros e ossos fossilizados são algumas das surpresas reservadas aos turistas aventureiros.
Embrenhando-se no agreste o visitante tem contato com a fauna e a flora típicas do lugar: bodes pastando e calangos cruzando a estrada, frutos do cacto xiquexique e flores exóticas do mancadaru.
As incursões à caatinga são especiais para os turistas estrangeiros, principalmente os nórdicos, que se encantam com pequenos detalhes. “Um passeio como esse dura o dia inteiro com eles que são detalhistas, querem fotografar e filmar tudo”, explica o guia Ribamar, que antes de trabalhar na propriedade vivia da queima da madeira para a obtenção do carvão. Trabalho desgastante e com remuneração ínfima.
Hoje, ele cursa faculdade de turismo e fala pelo menos quatro idiomas.
Inscrições rupestres
O maior monumento arqueológico do Brasil, com 24 metros de comprimento por 3,8 metros de altura, fica num sítio arqueológico no município de Ingá.
A Pedra do Ingá completa um conjunto de rochas com inscrições rupestres, chamadas itacoatiaras (pedras riscadas, em tupi), e assenta-se junto das águas do rio Ingá de Bacamarte.
O grandioso e instigante monolito apresenta na superfície figuras humanas, animais, espirais, plantas, cruzes e estrelas, entre outros desenhos, muitos indecifráveis até mesmo para geólogos e arqueólogos, em sulcos de quase um centímetro de profundidade.
O monumento foi tombado pelo Instituto do patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), mas ainda necessita de recursos financeiros para ser preservado.
• Serviço
Hotel Fazenda Pai Mateus: www.paimateus.com.br
Telefone: (83) 356-1250
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Lugar sagrado
A história do lajedo é muito antiga, remontando há milênios. Na região das “viúvas da seca” foram encontrados ossos fossilizados de tatus gigantes e de tigres-dentes-de-sabre, que viveram na América do Sul em uma época da era cenozóica.
Há aproximadamente 600 pinturas rupestres na região. Numa de suas maiores rochas, há 32 pinturas de mãos. Inscrição que só era utilizada pelos índios para marcar lugares considerados sagrados.
O Lajedo do Pai Mateus ocupa uma área de cinco quilômetros quadrados de extensão e o piso granítico é coberto por líquen de coloração alaranjada, sobre o qual os turistas devem evitar pisar. Há rochas que pesam mais de 40 toneladas que convidam a meditação, ao descanso ou mesmo a uma dúzia de fotos.