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Centrinho: 65 mil pacientes em 38 anos

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Hoje é dia de festa no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC), o Centrinho, da Universidade de São Paulo (USP). A instituição comemora 38 anos de existência como referência mundial no tratamento de pacientes com fissura labiopalatal e deficiência auditiva. “Essa comemoração mexe muito com as nossas emoções”, resume o superintendente José Alberto de Souza Freitas.

De acordo com ele, hoje o hospital possui 65 mil pacientes cadastrados e a marca de 420 implantes cocleares, um tratamento avançado contra a deficiência auditiva. “Somos considerados referência pela Organização Mundial da Saúde (OMS)”, ressalta.

A história do Centrinho nasceu da observação de casos de crianças com lesões labiopalatais, na década de 60, pelo então recém-formado Souza Freitas. A partir da observação de casos e da suspeita de proliferação, criou-se um centro de estudos sobre a anomalia na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB), da USP.

Na época, segundo Freitas, a instituição começou a funcionar com o apoio da Beneficência Portuguesa, onde eram feitas as cirurgias. “O apoio deles foi muito importante para que a gente conseguisse evoluir no tratamento”, destaca.

Ao longo dos anos 70, Freitas lutou para ampliar a capacidade de atendimento da instituição. E, para isso, diz que contou com o apoio do então deputado federal Alcides Franciscato. “Ele intermediou muitos pedidos de verba com o governo federal”, ressalta o superintendente do Centrinho.

O tratamento de lesões labiopalatais ainda é a principal atividade do Centrinho, que hoje conta com o trabalho de 830 funcionários. Mas, a partir de 1988, a instituição também passou a atender deficientes auditivos. Hoje possui 30 mil pacientes cadastrados nessa área.

Na década de 90, começaram a ser realizados os implantes cocleares (colocação de um aparelho que exerce sua função através da estimulação elétrica direta das fibras do nervo auditivo por eletrodos em pacientes onde o ouvido interno está danificado).

Segundo Freitas, apenas sete países realizam esse tipo de tratamento no mundo, principalmente devido ao alto custo do aparelho: US$ 18 mil. A instituição já fez a colocação de 17 mil aparelhos auditivos de amplificação sonora e mais de 420 implantes cocleares, com o apoio do Sistema Único de Saúde (SUS).

Para a realização do atendimento aos deficientes auditivos, o Centrinho possui quatro importantes unidades: o Centro de Atendimento aos Distúrbios da Audição, Linguagem e Visão (Cedalvi), o Centro Educacional dos Deficiente Auditivo (Cedau), o Núcleo Integrado de Reabilitação e Habilitação (Nirh) e o Centro de Pesquisas Audiológicas (CPA).

Visitas

Nesta semana, o Centrinho está recebendo algumas visitas ilustres, que coincidiram com a sua festa de aniversário. Um grupo designado pela USP está fazendo uma avaliação da instituição. Entre os visitantes estão um casal de ortodontistas do Reino Unidos - William Shaw (escocês) e Gunvor Semb (norueguesa) - e o cirurgião plástico e diretor do Instituto Lauro de Souza Lima, Marcos Cunha Lopes Virmond.

Além deles, também está passando pelo Centrinho o reitor da Universidade Fernando Pessoa, do Porto, em Portugal, Salvato Trigo.

A festa conta ainda com atrações promovidas pelos pacientes da unidade, que apresentam dança, música e participam da festa junina integrada com o câmpus da USP.

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