Festejado pelas crianças e motivo de preocupação para a Polícia Militar (PM), os meses de junho e julho são famosos pelas brincadeiras com bombinhas e, em alguns casos, pelos acidentes causados por elas. Do último dia 10 até ontem, por exemplo, foram registradas sete ocorrências envolvendo bombinhas, segundo o capitão Jorge Duarte Miguel. O número não é alarmante e o Pronto-Socorro Central não atendeu nenhuma vítima de bombinha neste mês, mas para prevenir caso graves, a PM realizou ontem à tarde uma simulação para demonstrar os riscos da explosão dos artefatos juninos.
Em um local ermo, um vaso sanitário, um boneco e uma mão feita de massa serviram de vítimas para duas bombas número seis, tipo bastante usado pelas crianças. A simulação reproduziu situações comuns nesta época: bombinhas em banheiros escolares e segurar a bomba nas mãos no momento do estouro.
Em uma fração de segundos, o vaso foi completamente destruído e destroços foram lançados a uma distância superior a 20 metros. O boneco próximo ao vaso, de peso e tamanho semelhantes ao de uma criança, caiu devido à explosão e pedaços do vaso atingiram a região do umbigo e da virilha. A mão também foi completamente destruída.
Segundo o cirurgião plástico e ex-chefe da Unidade de Queimados do Hospital de Base, Valter Luiz Curvello, em situação real, os estilhaços poderiam causar cortes graves e perda grande de sangue, principalmente na virilha, região que concentra vasos e artérias importantes. No caso da mão, além de queimaduras graves, a criança poderia lesar tendões ou perder os dedos.
A simulação foi acompanha por alunos integrantes do programa Jovens Construindo a Cidadania (JCC). Desenvolvido pela PM em conjunto com os alunos, o programa trabalha temas sociais nas escolas da cidade. “Nossa intenção aqui é mostrar que as conseqüências do uso incorreto das bombas vão muito além de um simples susto. Agora, esperamos que os alunos transmitam tudo o que aconteceu em suas escolas”, diz o capitão Jorge Miguel.
Juliana Fardini Montovani, aluna da escola Francisco Alves Brizolla e integrante do JCC há três anos, já sabe o que contar aos colegas. “Informamos que é perigoso e que alguém pode se machucar. Mas é difícil, eles (alunos) acham que nunca vai acontecer nada”, lamenta a estudante.
Cientes desses poréns, a PM alerta para que os pais orientem seus filhos. “Pedimos a fiscalização dos pais para não permitir a compra das bombinhas. Se comprarem, fazer o uso correto, como ficar distante da bomba e nunca colocá-la em recipientes fechados”, adverte o capitão.
Neste ano, a ocorrência mais grave foi registrada no último dia 12, quando um incêndio causado por bombinhas destruiu completamente um salão de beleza no Núcleo Edson Francisco Silva. Ninguém ficou ferido. Segundo a PM, a expectativa é de que apenas ocorrências simples sejam atendidas neste ano.
• Serviço
Em casos de acidentes, chamar imediatamente a emergência (193) e a polícia (190) para o registro da ocorrência.