Às vésperas do Dia Mundial de Combate às Drogas, domingo, a Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Bauru apreendeu ontem 4,2 quilos de crack em uma chácara às margens do rio Tietê, a maior quantidade da droga recolhida pela delegacia nos últimos cinco anos. Já a Polícia Militar apreendeu 153 pedras de crack no Parque Viaduto e 13 quilos de maconha em um ônibus da linha Campo Grande (MS)-Araraquara que chegava a Bauru (leia mais ao lado).
A chácara, que fica no município de Pederneiras, era ponto de fabricação do crack, segundo o delegado José Henrique Gomes dos Santos, titular da Dise. “No local encontramos bicarbonato de sódio, usado no preparo da droga, balança de precisão e apetrechos para embalagem. E o dono da chácara admitiu que fabricava a droga, que era distribuída em Bauru”, explica.
Além do dono da chácara, comerciante de veículos S.P.M.J., 25 anos, também foi preso por tráfico e associação para o tráfico G.V.P., 28 anos, morador de Bauru observado pelos policiais várias vezes na propriedade rural. Ele é acusado de distribuir a droga em Bauru. Os nomes completos dos acusados não foram divulgados pela polícia.
O delegado conta que a apreensão dos 4,2 quilos de crack, quantidade que renderia mais de 12 mil pedrinhas vendidas por R$ 10,00 a unidade, foi fruto de uma investigação de 60 dias. “Através do trabalho de inteligência da polícia, que inclui campanas e observações, gradativamente constatamos que as duas pessoas presas estavam traficando. A chácara era o ponto de fabricação da droga, que era distribuída em Bauru. Freqüentemente, G.V.P. ia à chácara e mantinha contato com S.P.M.J.”, comenta.
Com autorização judicial para busca e apreensão, policiais da Dise se dirigiram ontem para a chácara. “Trata-se de uma casa bem fechada, com duas cadelas da raça fila de segurança. O dono da casa prendeu os dois cachorros e fizemos uma busca, na qual encontramos a balança de precisão, o bicarbonato de sódio e as embalagens. Depois, fizemos uma busca no canil, onde os cachorros estavam, e lá encontramos um saco com os 4,2 quilos de crack em pedras grandes”, relata Santos.
Além da droga, foram apreendidos cerca de R$ 20 mil na chácara e na loja de veículos de S.P.M.J. outros R$ 6 mil com G.V.P., e sete carros e duas motos na propriedade rural. “Suspeitamos que o dinheiro, em notas de R$ 50,00, R$ 20,00 e R$ 10,00, seja fruto da venda de drogas porque eles não souberam explicar a origem”, frisa o delegado.
Preso, o dono da chácara confessou que produzia crack, mas não revelou a origem da pasta de coca, a base da droga. “Agora as investigações continuam para esclarecer a origem da pasta de coca e para quem o crack era vendido em Bauru. Tudo indica que se tratava de um fornecedor de traficantes menores”, completa Santos. Os dois acusados foram recolhidos à Cadeia Pública de Avaí. Se condenados, podem pegar de três a 15 anos de prisão por tráfico e de três a dez anos de prisão por associação para o tráfico.