Primeiramente, sr. secretário, devo-lhe esclarecer os motivos que me impeliram a ser o sr. o destinatário de minha carta. 1) O sr. escolheu como função a Promotoria e isto, a meu ver, o faz representar o povo; 2) O sr. é uma das pessoas com o melhor conceito, inclusive da oposição. Vamos então aos fatos. Na rua Célio Daibem, reside em uma casinha acanhada e pobre uma senhora (que doravante chamaremos de Maria), juntamente com seus dois filhos. Um de 10 anos e outro com meses de vida. Maria tem por vizinho uma pessoa que entende desvalorizar seu imóvel vizinha tão pobre. Vou denominar o tal vizinho de Jango. Para atormentar a Maria, o sr. Jango resolveu encrencar com ela, e entre outras tantas coisas decidiu que ela não podia ter um cão.
Decidiu também que o cão estava doente (embora esbanjasse saúde). A doença que o sr. Jango decidiu que ele tivesse (o cão), foi a Leishmaniose. O sr. Jango recorreu então ao CCZ, que prontamente decidiu arbitrar a briga de vizinhos. Os funcionários do referido órgão foram 4 vezes à residência da Maria. É claro que não a encontravam. Ela trabalha das 7:00 às 17:00 horas. Deixaram então um ultimato com a criança de 10 anos. Que a Maria ficasse em casa na data estipulada por eles, para que pudesse ser feito o exame sorológico do animal. A Maria, na data estabelecida, faltou ao seu emprego, telefonou ao órgão, e avisou que estava à disposição dos agentes de saúde. Chegou à sua casa um caminhão.
A pessoa encarregada de pegar o animal mostrou aí todo o despreparo no manejo do “cambãoâ€. Por não saber usar o equipamento adequado, resolveu lançar mão de uma cadeira que estava no local, e partiu para cima do cão, a cadeiradas. Nem os gritos da criança e da Maria fizeram-no parar de desferir golpes no animal, que sangrava muito e estava imóvel. Com a inércia da vítima, o funcionário jogou-o no caminhão, com destino ao CCZ. As pessoas que ficaram revoltadas com tal selvageria ligaram para o CCZ, pois iriam resgatar o pobre cão. Receberam como resposta que o animal havia sido sacrificado, pois era portador da leishmaniose. No estado em que o animal saiu de sua casa, deve ter chegado morto ao seu destino. Morto por espancamento. Morto a cadeiradas.
Pergunto então: como pode o CCZ dar informação da tal doença se nunca foi feito nenhum exame na vítima? Note bem, sr. secretário. O vizinho diagnosticou e denunciou. O CCZ executou. Será que o sr. Jango tem amigos influentes, que o tornam confiável a ponto de substituir o Adolfo Lutz? Sabe, dr. Parisi, só existe uma coisa mais grave do que o relatado acima. Seria a impunidade. Detestaria ser levada a pensar que nossa cidade (como uma padaria) só teria mudado de gerente e que as moscas continuassem as mesmas. (Maria Dolores Barbosa Gómez - RG 568.840-8)