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Deficientes lutam por acessibilidade

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Há dois anos, o advogado Eduardo Jannone da Silva levava uma vida como a de qualquer rapaz da sua idade. Andava pelas ruas sem se preocupar com declives e aclives de calçadas, falta de rampas ou excesso de buracos no meio do caminho. No entanto, depois de um acidente de trânsito que o deixou tetraplégico, Silva teve de reaprender os caminhos de Bauru para se locomover. E pôde perceber que a cidade não oferece nenhum tipo de facilidade para as pessoas que dependem de uma cadeira de rodas.

“Olhando como cadeirante, vejo que a cidade não dá a mínima condição para quem se locomove dessa forma”, diz.

A falta de acessibilidade para portadores de deficiência fica clara em cada esquina da cidade. Para atravessar a rua com uma cadeira de rodas, é preciso contar com a ajuda de outras pessoas. Dificilmente há rampas para descer. Sem falar nos degraus entre uma calçada e outra, nas rampas altamente inclinadas nos restaurantes e bares (“a gente até brinca dizendo que não são rampas, são plataformas de lançamento”, diz Silva.

Os projetos arquitetônicos até hoje ignoram que cerca de 10% da população mundial possuem algum tipo de deficiência. Levando em conta esse dado da Organização Mundial da Saúde (OMS), Bauru teria aproximadamente 34 mil habitantes nessas condições atualmente.

Curso

Para reforçar a conscientização a esse respeito, a Associação dos Engenheiros, Arquitetos e Agrônomos (Assenag) de Bauru vai sediar, na próxima terça-feira, o Curso de Capacitação Técnica em Acessibilidade e Mobilidade Urbana.

O presidente da entidade, Marcos Wanderley Ferreira, explica que o evento é organizado pelo Grupo de Trabalho (GT) Acessibilidade, criado com o objetivo de promover ações integradas junto a órgãos municipais e estaduais, entidades de classe e instituições de ensino. “A idéia é retratar a realidade e conscientizar os profissionais sobre a necessidade de se pensar na questão da acessibilidade em seus projetos”, salienta.

Ele explica que até hoje as edificações e vias públicas foram feitas sem se levar em conta a necessidade de quem é portador de deficiência. “São poucos os projetos voltados para a acessibilidade”, diz.

A falta de preocupação com a mobilidade dos portadores de deficiência ocorria porque a maioria deles não levava uma vida comum como acontece hoje em dia. Eles não eram estimulados a lidar com essa peculiaridade e acabavam se trancando no próprio mundo.

“Agora é diferente. A meta é incluir as pessoas com deficiência na sociedade, fazendo com que elas possam ter uma vida como outra qualquer”, destaca o engenheiro.

Mas para isso é necessário fazer alguns acertos na arquitetura da cidade. “Para os deficientes visuais, por exemplo, é muito perigoso se deparar com um orelhão bem no meio da calçada. Até a begala tocar no obstáculo, ele já se chocou com o aparelho”, descreve Ferreira.

Visando conscientizar profissionais de arquitetura e engenharia, bem como autoridades do município, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de São Paulo (Crea-SP) está realizando, em vários municípios, esse curso.

Em Bauru, o evento está marcado para terça-feira, das 8h30 às 17h30, na sede da Assenag. A abertura será feita pelo prefeito Tuga Angerami (PDT).

As inscrições são gratuitas, mas a entidade pede para os participantes levarem um quilo de alimento não-perecível, que será doado a entidades assistenciais.

Serviço

As inscrições podem ser feitas até as 12h de amanhã pelo e-mail gt.acessibilidade @creasp.org.br. Mais informações: rua Fuas de Mattos Sabino, 1-15. Telefone (14) 3224-3206.

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