Encontrar medicamentos nas unidades básicas de saúde já não é uma tarefa fácil. E, para piorar a situação, a Fundação para o Remédio Popular (Furp) deixou de repassar alguns itens do Programa Dose Certa para a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) nos últimos meses. No total, segundo a prefeitura municipal, estão em falta 11 produtos nos postos. Mas o Estado afirma que o atraso restringe-se a cinco itens
A farmacêutica da SMS, Maria Anice Iunes, explica que a cada dois meses, é requisitado um lote de medicamentos à Furp. No entanto, segundo ela, desde abril a instituição não repassa os pedidos. “Era para eles (Furp) terem mandado uma remessa em abril e outra em maio. Estamos no final de junho e ainda não chegou nada”, ressalta.
Para manter o estoque, Iunes diz que a prefeitura está comprando alguns remédios com recursos próprios. No entanto, informações extra-oficiais dão conta de que a administração municipal receberia recursos justamente para essa finalidade, provenientes dos governos federal e estadual. No total, seriam destinados por habitante/ano R$ 1,00 pela União, R$ 1,00 pelo Estado e R$ 0,50 seriam provenientes dos cofres públicos municipais para esse fundo.
Questionada sobre esses valores, a prefeitura não retornou a ligação até o fechamento dessa edição.
Enquanto isso, a população se vira como pode para arcar com os custos de farmácia. A ajudante geral Viviane Alves Pinto, por exemplo, procurou o antibiótico amoxilina suspensão oral em dois postos de saúde (Vila Dutra e Centro) para sua filha, Rafaela Alves Souza, mas não encontrou. O jeito foi apertar as contas e comprar. “Minha filha está com um princípio de pneumonia e eu não posso deixar o quadro avançar. Dei um jeitinho para comprar o remédio”, salienta.
Segundo ela, a dificuldade de encontrar medicamentos nos postos não é de hoje. “Sempre rodo bastante para conseguir o que preciso”, destaca.
Matéria-prima
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Saúde, responsável pelo Programa Dose Certa, confirma apenas o atraso no repasse de cinco medicamentos da lista disponibilizada pela Prefeitura de Bauru. São eles: AAS infantil, Fenobarbital, Polivitamínico gotas, Propanolol e Sais reidratantes.
A Furp informa que está tendo dificuldade em produzir esses medicamentos por falta de matéria-prima, que é importada.
Com relação aos outros produtos, a assessoria salienta que eles são entregues de três em três meses para a prefeitura e que a última remessa teria sido feita em abril. Ainda de acordo com o órgão de imprensa, foram enviados a Bauru naquele mês 1.013.950 unidades de medicamentos.
A prefeitura não confirmou essa informação até o fechamento dessa edição.
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Medicamentos em falta
• AAS infantil 100mg
• Amoxilina suspensão
• Cefalexina cápsula 500mg
• Dexametasona creme 0,1%
• Diclofenaco comprimido
• Fenobarbital comprimidos 100mg
• Polivitamínico gotas
• Nifedipina comprimidos 20mg
• Hidróxido de alumínio suspensão
• Propranolol comprimidos 40 mg
• Sais reidratantes
Fonte: Secretaria Municipal de Saúde