Não são poucas as pessoas que, com a sua “motinho” em mãos, pensam em fazer seguro. Entretanto, a maioria desse grupo, ao consultar os preços para a contratação do serviço, se assusta com o valor e desiste no ato da idéia. Mas quais seriam as razões para as apólices tornarem-se tão caras e, praticamente, inviabilizarem esse segmento de mercado para os consumidores-pilotos? A resposta não é difícil: boa parte da “culpa” recai sobre os altos índices de violência dos centros urbanos, mas o número de acidentes e as fraudes também pesam.
É o que informa Edson Aparecido de Almeida, corretor de uma seguradora bauruense. Ele confirma que o preço do seguro “assusta” e vem crescendo desde a década de 90, período que coincide com o início da abertura das importações de modelos mais caros e da elevação do número de roubos e furtos de veículos no País. “Mas só a violência responde por 50% ou mais do custo total do seguro de uma motocicleta”, frisa.
Por isso, Almeida é taxativo. “Na maioria dos casos, o custo-benefício dessa modalidade não compensa nem é acessível para os donos de motocicletas”, ressalta. E exemplifica: “O de uma CG, que vale cerca de R$ 5.800,00, é de pouco mais de R$ 900,00, valor que, somado ao da franquia, passa dos 20% do custo total da motocicleta. E isso ainda levando-se em conta um perfil, em tese, mais barato do contratador, que é aquela pessoa com mais de 40 anos, casada, com filhos e que utiliza pouco o veículo.”
Desta forma, acrescenta o corretor, os seguros de moto não representam nem 1% da clientela das companhias do setor. “Eles só costumam valer a pena em situações muito específicas, como o de colecionadores ou proprietários de motos muito caras, cujas peças de reposição, em caso de acidentes, costumam ser caras”, enfatiza. E, mesmo nesses casos, complementa Almeida, a maioria prefere correr o risco em detrimento de tornar-se um segurado. “As pessoas tomam cuidados adicionais, como instalar alarmes e só deixar a moto em estacionamentos”, explica o corretor.
Entretanto, não é apenas a violência a “vilã” do alto valor do seguro do mercado duas rodas. O alto índice do envolvimento de motos em acidentes de trânsito e as fraudes no segmento também pesam. E muito. “Depois da violência, eles representam praticamente os outros 50% restantes do custo total das apólices”, salienta o corretor.
Só que, apesar de todos os argumentos desfavoráveis, há quem opte pela contratação dos seguros de motos, como o engenheiro bauruense João Luiz de Oliveira Borges. Dono de uma Suzuki, que atualmente custa cerca de R$ 46 mil, pagou R$ 3.200,00 para segurá-la. “Sei que é muito dinheiro, pois responde por 7% a 8% do valor da moto. Mas pelo valor do bem, e a possibilidade de acidentes ou roubos, é caso de necessidade”, salienta. E acrescenta: “E em motocicletas desse tipo tudo é caro. Há carenagens, por exemplo, que custam até R$ 15 mil.”
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Você sabia que...
• Até maio deste ano, das nove mortes registradas no trânsito bauruense, sete envolveram motocicletas? Morreram três condutores de moto, uma passageira e três pedestres que foram atropelados por motocicletas, segundo estatísticas da Polícia Militar (PM)
• Segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, comparando o quarto trimestre de 2004 com o primeiro trimestre de 2005, o roubo de veículos - as motos também estão incluídas - aumentou 5% no Estado?
• Em 2004, das 25 pessoas que perderam a vida no trânsito de Bauru, 12 foram em acidentes envolvendo motos?
• Segundo a PM, as três infrações de trânsito mais comuns entre motociclistas em Bauru são o excesso de velocidade, a conversão proibida e o avanço do sinal vermelho ou placa de parada obrigatória?
• As motos, mobiletes, triciclos e quadriciclos já são mais de 23 mil da frota de Bauru, que é de 136 mil veículos? Em 1997, de acordo com dados da PM, as motos eram apenas 13,2 mil veículos na cidade e, em sete anos, cresceram 80%?