Tribuna do Leitor

Coação em Tucanópolis


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Tucanópolis está localizado entre 40º L. N. e 170 L. O. É um país muito diferente do resto do mundo. Aqui uma mentira pode se transformar em duzentas verdades. A verdade tem pouco valor nessa terra. Aqui a coação e chantagem vão da escola pública à Presidência da República. Na última semana saiu no único jornal do país a matéria do professor que foi coagido no ano anterior pela direção da escola por ter dado trabalhos para os alunos do terceiro colegial com baixo aproveitamento. Esses alunos foram até a direção e contaram sua história para a diretora, que os trabalhos eram muito difíceis de ser realizados. A diretora não perguntou ao professor os objetivos dos trabalhos, simplesmente começou a coagir o mesmo.

O mais vergonhoso de tudo é que os trabalhos eram os mesmos que os alunos da 7.ª e 8.ª séries estavam fazendo e os terceiros colegiais não tinham competência para fazê-los. No final do ano letivo, as coações foram mais fortes para se aprovar alunos com baixo aproveitamento. A partir daí, o nome da supervisora passou a ser usado para pressionar funcionários e professores.

Do final de dezembro até o final de abril a diretora passou a promover os alunos que tinham sido retidos pelo conselho, alegando que os alunos entraram com recurso por estarem se sentindo perseguidos. E ela com seus poderes supremos de diretora, promoveu todos. No final de maio, a diretora mandou as coordenadoras trazerem ata dos alunos que ela tinha promovido, com seus poderes, para que todos professores assinassem. O professor se recusou a assinar e disse à coordenadora, que até aquele momento não tinha sido cúmplice nem mesmo da sua mãe.

Alguns dias depois a diretora disse em reunião que a assinatura do professor não fez falta, pois a diretoria de ensino tinha aprovado sua ata, na qual ela promoveu os alunos sem o consentimento do conselho da escola, que não foi reunido para tal. No dia nove de maio de 2005, por volta de 18h, o professor voltou a comunicar às coordenadoras que existiam muitos alunos com mais 90% de falta no bimestre e que a supervisora voltaria por culpa nos professores pela grande quantidade de notas vermelhas. As coordenadoras orientaram os professores usando sempre o nome da supervisora que determinou que os professores passassem os trabalhos de reposição de faltas.

O professor fez o projeto de reposição de faltas e determinou o número de trabalho observando a equivalência de conteúdos dados nos períodos das faltas como determina a lei. Na semana seguinte as coordenadoras passaram a coagir o professor usando o nome da supervisora que tinha dito que o número de trabalho que o professor tinha dado era para perseguir os alunos e que um só trabalho seria o suficiente para repor “15, 16, 17, 18, 19, 20” faltas e que não havia necessidade de qualidade. O professor, achando injusto o tratamento dado pela supervisora que privilegiava os alunos faltosos e punia os alunos com freqüência, cancelou todos os trabalhos e pediu orientação na capital, para saber qual o erro que tinha cometido e foi informado que o procedimento estava correto.

No último dia 15 de junho, por volta das 20h, a supervisora de ensino compareceu na sala onde o professor estava ministrando sua aula, acompanhada da coordenadora e da diretora para conferir a freqüência dos alunos da UE. O professor aproveitando a oportunidade e a testemunha dos alunos questionou a supervisora, o porquê de tanta perseguição e coação em relação aos trabalhos de reposição de faltas.

A resposta foi a seguinte: professor, quem foi até a diretoria de ensino e disse que o senhor tinha dado os trabalhos para perseguir os alunos foi sua diretora, ou seja, ela desmentiu a diretora e coordenadora na presença dos alunos e do professor. O professor sugeriu à superiora que também foi vítima de mentiras, para mandar por escrito as determinações da secretária de educação para que professores e funcionários não sejam coagidos novamente.

Quero aproveitar para mandar um recado para os professores do Brasil: muito cuidado com os documentos que vocês assinam sobre pressão ou coação, vocês estão sendo cúmplices e podem ser responsabilizados criminalmente. O próximo assunto a ser tratado aqui da terrinha é: nepotismo nas escolas públicas de Tucanópolis.

Geraldo Marques de Oliveira - RG 550.227-DF

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