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Escola técnica


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É só abrir o jornal e ligar a TV para escutar quase todos os dias que o desemprego aumenta. Quando abaixa, são poucos índices, que nem dá para dar importância.

O desemprego é o berço de tantos males que levam a sociedade a uma desastrosa catástrofe humana e social. O desemprego é o caminho de uma constante desestabilização da pessoa humana que, não tendo trabalho, não tem dinheiro e, não tendo dinheiro, não tem como prover as suas necessidades pessoais e familiares. E sem dinheiro o desespero entra no coração das pessoas que, não raramente, se vêem obrigadas a se esconder por vergonha, a recuar, a perder os próprios direitos, a diminuir os próprios gastos, e passam a ser vistas como alguém que vive “à margem da vida”, e não têm mais a possibilidade de ocupar o seu lugar no conjunto da sociedade.

A falta de dinheiro provoca uma série de reações que são imprevisíveis. Os sociólogos concordam em dizer que o crime é fruto de um desnível social e de uma falta de meios de subsistência e de auto-sustentação pessoal e familiar. O trabalho é uma exigência fundamental da vida: todos temos direito, chegada a idade do trabalho, de poder prover com as próprias forças os nossos recursos para termos uma vida digna.

Hoje o mercado de trabalho exige uma preparação que muitos jovens não têm condições de possuí-la e, por isso, se vêem sumariamente sem perspectiva alguma de um emprego. A empregabilidade mostra, hoje, um quadro bastante tímido para a maioria dos jovens, mas, felizmente, graças a projetos de cidadania feitos por órgãos governamentais, o deputado estadual Pedro Tobias, acaba de conseguir para Bauru e região a instalação da Escola Técnica que deverá ser no prédio da escola estadual Rodrigues de Abreu, área central da cidade como melhor alternativa para abrigar esta unidade do Centro Paula Souza.

É claro que a utilização da escola Rodrigues de Abreu provocou uma reação dos seus alunos, professores e funcionários que alegaram não aceitar o seu fechamento com uma possível transferência de suas atividades para o colégio Ernesto Monte. O Estado, porém tem garantido o emprego dos professores e funcionários e vagas para todos os alunos, deslocando-os para o Ernesto Monte, apenas duas quadras acima.

Como professor, jamais defenderia o fechamento de uma escola, mas defendo sim a abençoada oportunidade de jovens de Bauru e região estudarem na Escola Técnica do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza.

Devemos procurar sempre o que nos une e esquecer o que nos divide. É muito freqüente haver conflitos nessas ocasiões. Pontos de vista divergentes existem. No entanto, tais elementos não podem provocar separações. Neste caso, o futuro do jovem carente é o único necessário, o resto é relativo.

Por isso, somos todos chamados a superar nossos pontos de vista que são parciais, para assumirmos explicitamente esta realidade que se revela como salvação para estes jovens. Com a Escola Técnica instalada em Bauru e na escola Rodrigues de Abreu, os jovens terão a chance de voltar ao universo, cada vez mais restrito, do trabalho. Muitos deles, de fato, darão novo rumo às suas vidas, conseguirão colocação no mercado de trabalho e, com rendimento próprio, estarão em condições de assumir compromissos com a própria subsistência, voltando a contar com a solidariedade da família e da comunidade para viver uma vida mais digna. (O autor, Gino Crês, é professor)

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