Bairros

Secretaria capacitará sem-terra do Horto

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 2 min

A Secretaria Municipal de Agricultura de Bauru (Sagra) dará consultoria para as 108 famílias de sem-terra que ocupam área no Horto Florestal Aimorés. A parceria visa capacitar os produtores do Grupo Terra Nossa para produzir de forma economicamente viável quando estiverem com o assentamento formalizado.

Em visita ao acampamento, a secretária de Agricultura de Bauru, Maria Eugênia Gracia, ouviu dos produtores rurais as principais dificuldades, definiu o início da consultoria e orientou os sem-terra para o planejamento da produção.

Uma das principais dificuldades é o escoamento da grande produção de mandioca do assentamento. Gracia irá fazer contato com a Ceasa de São Paulo na tentativa de facilitar a entrada do produto do assentamento no entreposto da Capital. Ontem, os sem-terra venderam 350 caixas de mandioca para um supermercado local.

O primeiro curso de capacitação que a Sagra pretende viabilizar com os sem-terra é o de conservação de solo, com destaque para os cuidados no manejo do solo bauruense, muito propenso a erosões, e o combate a pragas. A capacitação inicial terá 20 horas de duração com noções básicas para os agricultores. Por iniciativa própria, no dia 27 deste mês o acampamento passará a oferecer aulas de alfabetização aos moradores.

O coordenador do Grupo Terra Nossa, Celso Costa, está otimista com o investimento em fruticultura. A proposta de parceria com a Sagra e a Bauru Frutas para produzir goiaba no assentamento foi amplamente aprovada pelas famílias.

Gracia expôs que a fruta, além de se adaptar bem ao clima de Bauru, se encaixa ao processo de agricultura familiar dos sem-terra no horto com mão-de-obra abundante. Conforme a secretária, o plantio da goiaba exige muita gente e tem a vantagem do município já contar com uma unidade de beneficiamento da fruta. Costa disse que a proposta é oferecer, a cada família, 150 mudas da planta.

A secretária também levantou o que o assentamento produz. O acampamento demonstra variedade na criação de animais. Entre o grupo, quatro produtores se dedicam aos caprinos, 11 aos bovinos, com predominância do gado leiteiro, e 11 criam suínos. Os acampados pretendem desenvolver o plantio de hortas no sistema de estufas.

O Terra Nossa, que é ligado à Central Única dos Trabalhadores (CUT), ocupa há mais de dois anos a área do horto e as famílias já foram cadastradas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) para o projeto de assentamento em 202 alqueires de terra.

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