Em boa hora o Jornal da Cidade recorre ao professor Darvino, visando ao uso correto de nossa língua. Parabéns!
Acabo de ler neste tedioso dia 2, na página 2, comentário do senhor Carlos Sandrin - advogado - sob o título “Diálogo Português”.
Cabe-me discordar de S. Excia. quando afirma: “... quando deveria dizer: e ele reside à rua Alfredo Maia, sabendo-se que ninguém reside na rua.”
Expressões como sito, situado, residente, pedem a preposião EM e não a preposição A. Além disso, logradouros públicos exigem inicial maiúscula: Rua Alfredo Maia; Rua Direita; Alameda das Flores, etc. Não se constrói: residente ao bairro, mas residente no bairro.
A TV Cultura dá-nos um presente sumamente valioso: lições do professor de Português que só não são melhores por serem tão poucas.
Convenhamos: nossa Língua Portuguesa é realmente muito difícil. Escrecer é realmente difícil e ler é mais difícil ainda. Minha colega, a erudita professora Isolina Viana, bate-se corajosamente em defesa de nossa língua. O que não é fácil.
Um dos aspectos que me chamam tristemente a atenção é a prolação de locutores que, ao vivo e em cores, castigam nossa ortoepia e prosódia. A ortoepia trata da correta enunciação dos fonemas no interior das palavras e a periférica pronúncia das consoantes, evitando-se dizer socorrê, mas socorrer. A prosódia trata da correta acentuação tônica das palavras: exemplo - “féche” a porta em fez de feche(ê) a porta; cervo (é) e não cervo (ê) como costumam pronunciar. Erro generalizado: circuíto. Pronuncia-se circúito; curto-circuito, que rima com fortuito, gratuito, fluido. Se pronunciam: circuíto, por que não dizem “fuí” em vez de “fui”?
Não tive, ainda, o prazer de conhecer pessoalmente o professor Darvino, que dispensa qualquer elogio, mas sua senhoria terá muito a fazer em defesa dessa “Última flor do Lácio, inculta e bela”, no dizer do poeta maior: Olavo Bilac. E o que espera alguém que tem mais a aprender do que ensinar.
Álvaro Baptista Pontes - RG 2.477.567