As escolas de samba de Bauru começam a se mobilizar para combater um dos problemas conseqüentes da não-realização dos desfiles no Sambódromo Municipal durante quatro anos consecutivos: a evasão de seus integrantes.
Sem festa, até os membros das escolas de samba se afastaram das atividades que mantêm as entidades vivas e deixaram de freqüentar inclusive os ensaios. Francisco Carlos Saes, por exemplo, presidente da Tradição da Zona Leste, do Núcleo Mary Dota, conta que se viu num impasse já que sem Carnaval, não há foliões; sem foliões, não há ensaio e sem ensaio, não há Carnaval.
Nos últimos ensaios da bateria da Tradição, compareceram em média 15 pessoas. O esperado seria no mínimo 50 percussionistas. “Até 2001, quando ainda havia desfile, a quantidade de pessoas era excelente. Hoje, há desinteresse pelas escolas de samba. Estamos tentando nos reaproximar dos jovens”, diz.
Saes acredita que este é o momento de tentar uma reaproximação com o público já que o atual secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, e o presidente eleito da Liga das Escolas de Samba e Entidades Carnavalescas de Bauru (Lesec), Pasqual Storniolo, demonstram a intenção de retomar a realização da festa em 2006.
“Agora fica mais fácil procurar novos integrantes. Tendo algo mais concreto, é mais provável que as pessoas se interessem pelo assunto”, acredita o presidente da Tradição.
Iniciativas
O presidente eleito da Lesec, Pasqual Storniolo, que também responde pela Escola de Samba Acadêmicos do Cartola, afirma que está trabalhando para unir as pessoas e recomeçar os ensaios. “Estamos recomeçando. Ainda não fizemos ensaios desde 2001, mas fazemos uma previsão de que vai ser difícil. Vamos tentar unir as escolas em eventos com bateria e tentar fazer alguma coisa para glutinar as pessoas”, afirma.
A Tradição da Zona Leste já encontrou uma forma de se reaproximar do público jovem. Está promovendo oficinas de percussão na Escola Estadual Ada Cariane Avalone, no Núcleo Mary Dota, através do Programa Escola da Família.
As oficinas, ministradas pelo educador-universitário Paulo Roberto da Silva, estão sendo realizadas aos sábados e domingos, das 15h às 16h. A atividade é gratuita e aberta a toda a comunidade.
Em agosto, terão início as aulas de mestre-sala e porta-bandeira. “Convidamos todas a comunidade a participar para retomar o Carnaval, que é uma festa importante para a cidade”, salienta Saes.
Silva planeja inclusive expandir as oficinas para outras escolas estaduais de Bauru e criar um bloco carnavalesco com os participantes. “Seria o Bloco Escola da Família”, sugere.
Também faz parte do projeto de reestruturação da Tradição da Zona Leste a promoção de eventos para angariar recursos para manutenção dos instrumentos. No dia 21 de agosto, na escola Ada Cariane, será realizada uma feijoada; em setembro, um jantar dançante e em outubro, um almoço de confraternização.
• Serviço
Oficinas gratuitas de percussão e de mestre-sala e porta-bandeira na Escola Estadual Ada Cariane. O endereço é quadra 20 da avenida Marcos de Paula Raphael, no Núcleo Mary Dota.