Os cerca de cem metros de comprimento e três metros de profundidade de uma erosão entre os jardins Nicéia e Colonial, zona sul de Bauru, têm preocupado a administração municipal e órgãos ambientais. A degradação está em área de preservação ambiental e parte do local está coberta com água. O alagamento tem cerca de 40 metros de comprimento e abriga esgoto e lixo. Além disso, crianças do Jardim Nicéia nadam no local.
Situada nas proximidades dos residenciais Tavano e Chácaras Odete a erosão existe há pelo menos dois anos. “A empresa desnudou o solo em época de chuva e isso atraiu a erosão”, explica o titular da Secretaria de Obras, Leandro Dias Joaquim. Segundo ele, em 2003 foi aprovado um projeto para que a empresa fizesse o controle da erosão.
Com o agravamento recente da degradação, de acordo com a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), a água do lençol freático aflorou e colaborou para o alagamento da cratera. “As chuvas fortes do final do ano passado pioraram a situação”, explicou o grupo loteador dos residenciais Tavano e Chácaras Odete à reportagem.
Segundo a Secretaria de Obras, após o acúmulo de água, a empresa instalou um dreno no local para conter a vasão de água, mas o material teria sido destruído por ação de vândalos e impossibilitado o controle eficaz da água. “Temos a preocupação de crianças se afogarem no local”, lembra o secretário da Semma, Carlos Barbieri, que ajuda a fiscalizar o local.
De acordo com o secretário de Obras, a empresa loteadora terá que drenar a água da erosão, aterrar o local e revegetá-lo. A loteadora garante que a recuperação está sendo feita, mas o andamento da obra depende da licença de órgãos ambientais.
Na manhã de hoje, representantes da empresa e da administração municipal irão participar de uma vistoria técnica do Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais (DEPRN) ao local. “Qualquer alteração em áreas de preservação tem que ser licenciada pelo departamento”, explica Miguel Cáceres, supervisor da equipe técnica do DEPRN de Bauru, que participará da vistoria. Segundo ele, que acompanha o caso em parceria com a Secretaria de Obras, somente após a visita a empresa será avisada de como deverá continuar os trabalhos de combate à erosão. Segundo Leandro Dias Joaquim, a erosão atualmente está estabilizada.
Atenção
Velho conhecido dos moradores do local, nem mesmo o acúmulo de água, que pode chegar a pelo menos dois metros de profundidade, chama a atenção. “Sabemos que as crianças nadam lá, mas até a agora ninguém reclamou. O que reclamam é da situação do córrego que passa entre as casas. Fica um cheiro ruim e quando chove piora”, diz Alice Nunes dos Santos, integrante da Associação de Moradores do Jardim Nicéia, ao lembrar das águas do córrego Água Comprida.
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Sugestão
Já para a estudante de arquitetura da Universidade Estadual Paulista de Bauru (Unesp), Fernanda Nascimento Corghi, a erosão alagada ganhou outras proporções. Por desenvolver projetos sociais no jardim Nicéia, Corghi acompanhou o crescimento da degradação e sugere a transformação do local em uma espécie de lagoa.
“Cidades como Santo André, Curitiba e Avaré (que tiveram problemas parecidos) usaram as falhas humanas e potencializaram o local como lugares de turismo.” Esta solução, segundo a estudante, seria possível a partir de estudos técnicos no local feitos em parceria entre a empresa, administração local e órgãos competentes.
A possibilidade, porém, seria remota na avaliação da Semma, que não vê segurança suficiente para manter o local aberto devido aos riscos de acidentes.