Politicando

Visões etílicas


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Vou contar um fato verídico ocorrido com o Faria Neto, vereador de nossa cidade, afinal, o nobre edil nunca negou que gosta de freqüentar bares, razão esta que me autoriza a contar. Sempre íamos juntos ao Bar Cinelândia, que era um verdadeiro mini-zoológico dentro da cidade, onde tomávamos uma cerva enquanto jogávamos conversa fora.

Lá estávamos quando um tatu passou pelo salão.

Faria ficou sério, não falou nada, pagou a conta e foi embora.

Passaram-se uns quinze dias e o baixinho, made in Avaí, desapareceu.

Encontro-o no final de uma tarde na rua Batista de Carvalho e fomos à Lanchonete Jussara, na esquina da 13, onde pedi uma cerva e ele, uma água com gás. Estranhei e acabei perguntando:

- Tá doente?

- Pedrosão... parei de beber e para sempre!

- Converteu?

- Não! Comecei a ter alucinações, ver coisas... resolvi parar!

- Ver coisas?

- Aquele dia que a gente tava lá no Cinelândia, você acredita que vi um tatu passeando dentro do bar! Coisa de louco, rapaz!

Dei uma gargalhada e o Faria ficou bravo:

- Se começar a tirar sarro, vou embora!

- Não estou tirando sarro não! É que o tatu é de verdade, o Toninho foi caçar e pegou ele vivo, daí ficou com dó de matar e deixou lá no Bar.

- Não acredito!

Pagamos a conta lá para o Cridão e fomos para o Cinelândia. Chegando lá, a primeira coisa que vimos foi o tatu, debaixo de uma mesa, bem na sua, tranqüilo e sossegado.

- Olha a visão lá, ô Faria!

- Não acredito!

- Pode acreditar. Vou tomar uma cerva e você? Água com gás?

- Não! Uma cerva também! Tô aliviado, cara!

E a constatação de que o tatu era de verdade fez com que Faria tomasse um dos maiores porres de sua vida!

Contada por Antonio Pedroso Júnior

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