Amostras de colas, cadernos e tintas guache tiraram nota zero em Bauru na operação “Volta às Aulas” realizada pelo Instituto de Pesos e Medidas do Estado de São Paulo (Ipem), divulgada no começo desta semana. Em todo o Estado de São Paulo, 11,54% dos 52 itens de material escolar analisados estavam irregulares. Em Bauru, o índice foi três vezes maior. Dos oito produtos analisados, três apresentaram irregularidades no peso ou no tamanho.
Na última semana, fiscais escolheram aleatoriamente marcas de papel crepom, de tubos de cola branca de 500 gramas, de cadernos brochuras e universitários e de tintas guache de 90 milímetros. Nesta pesquisa, foi verificada se a quantidade do material estava de acordo com o descrito na embalagem. No caso do papel crepom e dos cadernos, foram verificadas também a altura e a largura das folhas.
O papel crepom não teve problemas. Já das três de cadernos, a PP apresentou falhas nos cadernos de brochura, que tinham folhas com medidas defeituosas. Já nos tubos de cola branca de 500 gramas, as 20 unidades recolhidas da marca Maxi Cola tinham quantidades inferiores às descritas na embalagem. Em algumas amostras faltavam 27,4 gramas do produto. A diferença mínima tolerável, segundo o instituto, é de 15 gramas.
O principal erro encontrado, porém, ficou por conta das tintas guache. A marca Goller, única analisada, apresentou falhas nas 14 unidades verificadas. De acordo com a pesquisa, em todas elas a quantidade estava inferior aos 90 milímetros descritos na embalagem e a diferença chegou a 19,6 milímetros em alguns casos. O tolerável é 9 milímetros. Na média, o erro foi de 17,33% a menos do produto entre as análises.
Líder
O percentual de erro registrado em Bauru superou o verificado nas outras cinco cidades pesquisadas, inclusive na capital do Estado (veja abaixo). Em Ribeirão Preto e Presidente Prudente, o Ipem não encontrou irregularidades. O índice bauruense supera ainda o resultado do Interior e do Estado. Nas demais cidades, foram encontrados problemas na borracha Mercur, na cola em bastão Prit e nos clips Corti Arte.
De acordo com o supervisor técnico regional do Ipem, Luiz Antônio Brizzi, os fabricantes dos produtos com irregularidades foram notificados e terão 15 dias para apresentar justificativas junto ao órgão. Após isso, será feita análise jurídica e, conforme a gravidade da infração (que varia de acordo com o prejuízo causado ao consumidor), o responsável poderá ser advertido ou multado entre R$ 100,00 e R$ 50 mil. “Nosso objetivo com a pesquisa é coibir as irregularidades e fazer com que as empresas se enquadrem às normas”, ressalta Brizzi.
Atenção
Para quem compra os produtos, a pesquisa serve de alerta, mas não diminui as dificuldades na hora da escolha. “Não tenho uma balança para medir o peso do produto e não dá para ficar contando as páginas de um caderno. Olho as especificações e escolho algumas marcas. Tento acreditar no que estou comprando”, argumenta a enfermeira Iara Mattos.
Muitas vezes imperceptíveis aos olhares dos consumidores, as falhas chamam a atenção de quem vende os produtos. “Se tiver irregularidades, recolhemos os produtos. Procuramos sempre trabalhar com o melhor porque, assim, diminuem as incidências de trocas e de queixas”, afirma o gerente de uma papelaria e livraria de Bauru, Nilo Sérgio Alves Júnior.
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Fiscalização de peso e tamanho
• Em Bauru
Produtos verificados
• 3 marcas de cadernos (brochura e universitário)
• 1 marca de tinta guache
• 1 marca de papel crepom
• 3 marcas de cola branca
Total: 8
Regulares: 5 produtos (62,5%)
Irregulares: 3 produtos (37,5%)
• No Estado
Total: 52 produtos
Regulares: 46 produtos (88,46%)
Irregulares: 6 produtos (11,54%)
• No Interior
Total: 39 produtos
Regulares: 34 produtos (87,18%)
Irregulares: 5 produtos (12,82%)
Denúncias
Pelo telefone 0800-130522
No Ipem, rua Itapura, 10-25, Jd. Marambá, das 8h às 17h
Fonte: Ipem
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Explicações
Para Luiz Antônio Brizzi, supervisor técnico regional do Ipem, o fato de Bauru despontar na pesquisa com o maior percentual de erro em itens de material escolar não significa que a apenas a cidade tenha problemas. “Nenhum dos fabricantes responsáveis pelas marcas (com irregularidades) era de Bauru. Estes produtos também se encontram em outras localidades e, portanto, não quer dizer que Bauru está pior”, explica.
No começo do ano, o órgão realizou uma pesquisa equivalente e, segundo o Ipem, foram registrados os mesmos resultados. “Mera coincidência”, resume Brizzi. Já no Estado, os erros caíram dos antigos 25% para os atuais 11,54%. “Acreditamos que a diminuição seja em função da autuação e também porque as indústrias estão melhorando a qualidade dos produtos oferecidos. Eles não querem ter uma propaganda negativa de sua marca”, lembra o supervisor.