Venho acompanhando a polêmica sobre a instalação em Bauru da Escola Técnica, a ser mantida pelo Centro Estadual Tecnológico Paula Souza, no prédio da Escola Estadual “Rodrigues de Abreu”, com o remanejamento dos professores, funcionários e alunos.
Matérias públicas em forma de reportagens, artigos, cartas, no JC, têm passado ao grande público uma imagem de que os professores são contrários à desativação da E.E. “Rodrigues de Abreu”, por simples comodismo, saudosismo, até, deixar de se instalar a escola técnica. Este posicionamento precisa ser desfeito. Primeiro, porque os professores, funcionários e alunos merecem respeito. Segundo, porque professores e funcionários não estão fazendo os alunos de massa de manobra, como afirmou o vereador João Parreira de Miranda (PSDB), no JC (21/06, pág. 7). Terceiro, porque em sã consciência ninguém, principalmente os professores, é contra instalação de qualquer escola: quer seja de educação geral, quer seja de educação técnica.
Como solucionar o impasse, com mais conquistas, sem trauma?
Em 2003, o governo do Estado extinguiu 54 Centros de Formação e Aperfeiçoamento do Magistério (Cefam), em todo o Estado, inclusive o de Bauru. No local do Cefam que foi extinto, se instalará a Escola Técnica. Prédio construído na década de 1960, para ser instalada justamente uma Escola técnica Estadual.
A Escola Estadual “Ernesto Monte” será transformada em Instituto Superior de Educação “Ernesto Monte”. Isto, considerando que a Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional, de 1996, determina no capítulo sobre - Formação de Professores - (artigo 62), a criação de Instituto Superior de Educação, que manterá, entre outros cursos, o curso Normal Superior, para formação de docentes para atuar na educação infantil e nas quatro primeiras séries do ensino fundamental. Bauru já possui Instituto Superior de Educação, mas particular, pago. Como fica o acesso dos interessados sem poder aquisitivo para poder pagar as mensalidades? A escola técnica pretendida é voltada para a clientela escolar menos favorecida economicamente, neste caso da criação do Instituto Superior Estadual de Educação, com curso Normal Superior, também é.
Como afirmou o professor Gino Crês em seu excelente artigo - Escola Técnica - JC (Opinião, 11/07, página2): “Por isso, somos todos chamados a superar pontos de vista que são parciais, para assumirmos explicitamente esta realidade que se revela como salvação para estes jovens”. Acrescento, sem traumas e desativação de uma escola.
Rodolpho Pereira Lima - professor aposentado do magistério estadual