Que me perdoem os muito crédulos - uns por ingenuidade medonha; outros por evidentes interesses pecuniários. Ambos servem, sim, a uma causa nada nobre, por antidemocrática: a de ocultar o lixo orgânico, que, por mal cheiroso, cedo ou tarde, se denuncia. O governo federal está podre. O resto é conversa fiada.
Não há “Daslu” que dê jeito nisso, que encubra a sujeira oficial. Ninguém tira o “direito” do ministro-chefe da Polícia Federal tentar. É pago para isso. Se ele aceitou o trabalho, é porque o trabalho deve valer a pena. Ainda que sua biografia venha a ter como destino a vassoura lerda e a pá suada dos garis.
A teoria de Jefferson, o Roberto, segundo a qual o presidente da República é um idiota, um ser de que nada sabe, que ignora a lama produzida por seu partido e governo, não comove a quem quer que seja que não tenha eliminado a marretadas o único e derradeiro neurônio.
Inexiste registro na história de que um idiota tenha chegado lá, à Presidência da República. Lula não é um idiota, nunca foi idiota. Idiotas não chegam lá. Idiotas morrem na praia. Lula é esperto, porque não se pode tomar por tolo alguém que passou mais da metade da vida sem trabalhar, comendo e bebendo do bom e do melhor, sem se dar ao menos à tarefa de se perguntar de onde vinha o dinheiro que lhe dava a vida mansa, imerecida.
Quer dizer que seu filho mais velho - até anteontem um bolso furado - vira empresário sem ter capital e atrai como sócio a maior empresa de telefonia do país, cujo capital conta com o aporte de recursos de órgãos oficiais – e o papai viajante não sabe de nada, feito o Pelé? Estamos falando de R$ 5 milhões. Repito: cinco milhões de reais. Sei que denuncio minha miséria diante da nação petista, hoje mais afeita a cifras bem superiores. Claro que filhos de presidente podem prosperar. Torço por eles. Desde que sua ascensão não tenha meu lombo arcado como escada.
Que, a exemplo do que nos mostram as pesquisas de opinião, a maioria dos cidadãos creia em contos da carochinha, é um problema que não tenho competência para explicar. O que sei é o que todo mundo aqui sabe: que a ignorância é o bem mais fartamente distribuído no mundo. E que, logo atrás dela, da ignorância, vem lépida e sorrateira a ingenuidade, sua prima mais pobre.
O autor, Orlando Silveira, é jornalista - e-mail: orlandosilveira@uol.com.br