Cultura

‘O Bater do Coração’

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

Ele é considerado um dos melhores percussionistas do mundo, toca profissionalmente há mais de 50 anos e promete levar o público a uma viagem ao “Brasil que o Brasil não conhece” através do show que apresenta hoje, às 21h, na área de convivência do Serviço Social do Comércio (Sesc). Seu nome é Juvenal Holanda Vasconcelos, mais conhecido como Naná Vasconcelos.

Batizado de “O Bater do Coração”, o espetáculo estreou na Inglaterra há cerca de três anos e já passou por inúmeros países. Recentemente, foi apresentado na França e na Espanha e ainda este mês estará na Alemanha, Inglaterra e Bélgica. “Eu tenho viajado com esse show, mas ele muda com o tempo porque eu componho novas coisas. Algumas peças ficam porque são importantes para a idéia de contar histórias sobre o cenário brasileiro”, expõe Naná, em entrevista por telefone. De Recife, às 7h50 de ontem, pouco antes de pegar um avião para São Paulo, ele falou sobre seu trabalho ao JC Cultura.

O músico, que já tocou com diversas bandas e instrumentistas, faz uma apresentação solo com diferentes instrumentos de percussão e muita interatividade com o público. “Não é fácil fazer um show de percussão que seja musical, que não seja apenas exibição de quem toca mais rápido ou mais alto. Eu procuro fazer música e sons com percussão, não só ritmos. Eu faço dela (da percurssão) melodia e harmonia”, diz.

Naná busca tocar o íntimo de cada espectador e se satisfaz quando eles saem felizes de suas apresentações. “As pessoas vão para suas casas bem porque elas de certa forma participam e vêem um Brasil que o Brasil não conhece. É um Brasil que não toca no rádio. O músico quando toca tem que procurar dizer alguma coisa, e não mostrar que sabe tocar. O meu objetivo no show é passar um bom momento com as pessoas”, expõe.

Entre suas apresentações pelos quatro cantos do planeta, suas duas casas (depois de 26 anos morando nos Estados Unidos, atualmente vive entre um apartamento em Nova York e uma casa em Olinda, em Pernambuco) e a atenção à sua filha de cinco anos, Luz Morena, Naná encontrou tempo para produzir um novo disco, cujo lançamento está previsto para o dia 2 de agosto. “Vai ser um disco de banda, com violoncelo, violão, rabeca, teclado, piano, sanfona, flauta, sax, pífano e percussão. Terá composições minhas e do pessoal da banda”, antecipa.

• Serviço

Naná Vasconcelos hoje, às 21h, na área de convivência do Sesc. Ingressos custam R$ 6,00 e R$ 3,00 (estudantes, matriculados e maiores de 60 anos). O Sesc fica na avenida Aureliano Cardia, 6-71. Outras informações pelo telefone (14) 3235-1750.

____________________

Andanças

Naná Vasconcelos nasceu em meados da década de 40, em Olinda (PE). Aos 12 anos de idade já era músico profissional, tocando bongô e maraca.

No final da década de 60, foi para o Rio de Janeiro e passou a acompanhar Milton Nascimento e o Som Imaginário. Integrou o Quarteto Livre e acompanhou Geraldo Vandré no show “Caminhando (Pra Não Dizer Que Não Falei das Flores)”, em 1968.

Em 1970, fez parceria com o saxofonista Gato Barbieri e mudou-se para o Exterior. Viveu em Paris, na França, por cinco anos e lançou seu primeiro disco, “Africadeus”.

Mais tarde, de volta ao Brasil, teve parceria de oito anos com Egberto Gismonti, que resultou em três discos. No fim dos anos 70, partiu para Nova York e integrou, com o trompetista Don Cherry e o citarista Colin Walcott, o grupo CoNaDa, top do jazz mundial. Na década de 80, participou também do grupo do guitarrista Pat Metheny.

Em sua extensa carreira, trabalhou com nomes como B.B. King, Talking Heads, Jean-Luc Ponty, Mutantes, Marisa Monte, Gal Costa, Caetano Veloso, mundo livre s/a e Orquestra Popular de Câmara.

Comentários

Comentários