Política

Servidor vai ter só 0,1% de reajuste

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

A Prefeitura Municipal de Bauru ofereceu 0,1% de reposição salarial na primeira negociação da gestão do governo Tuga Angerami (PDT) com o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm). A entidade considerou a proposta de reposição da inflação um deboche e também criticou o abono de R$ 100,00 a ser concedido de forma linear aos servidores. Na mesma reunião de ontem, a administração informou que a antecipação de metade do 13.º salário não vai mais ocorrer.

A reunião entre a administração e a diretoria do Sinserm começou com atraso, ontem à tarde, mas o encontro foi suficiente para o sindicato reagir contra os indicadores apresentados pelo governo. O chefe de Gabinete, Paulo Sérgio Canalli, disse que o índice de 0,1% estava sendo concedido para o cumprimento da Constituição. “O artigo 37, inciso 10, da Constituição garante ao servidor a revisão anual em função da inflação acumulada e o governo, depois de analisar todos os índices e planilhas, não poderia agir com irresponsabilidade oferecendo um índice que não pudesse ser cumprido”, cita.

O sindicato negociou com o governo atual a reposição das perdas remanescentes do governo anterior, sendo 11,66% de reajuste mais R$ 130,00 de aumento linear. O Sinserm aceitou esperar os 120 dias solicitados pelo governo para apresentar a oferta financeira. “Depois desse prazo, o governo apresentar essa proposta é um deboche, desrespeito ao servidor vir com 0,1%. Nós também somos contra o abono porque isso não incorpora ao salário”, opina a diretora do Sinserm, Idelma Corral.

Índice de Lula

Paulo Canalli alega que não havia outra alternativa a não ser o índice de 0,1%, o mesmo utilizado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no âmbito federal. “Não nos restou outra alternativa senão a de que, com responsabilidade conceder um abono linear de R$ 100,00 aos servidores ativos e inativos. A administração pediu 120 para analisar a evolução financeira, mas verificamos queda na arrecadação há três meses, tanto do Fundo de Participação (FPM) quanto do repasse do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS)”, fala.

Apesar da declaração, o governo não apresentou os dados. O sindicato contesta a informação. “Nós verificamos é aumento de receita de R$ 11 milhões neste início de ano e esperávamos que esse acréscimo fosse canalizado para os servidores que já contam com um piso salarial muito baixo”, reage Idelma Corral.

A diretoria do sindicato informa que a proposta será discutida em assembléia geral na próxima terça-feira, dia 19, na sede da entidade. “Não está descartada a opção pela greve diante desse índice ridículo apresentado pelo governo Tuga, contrariando tudo o que ele prometeu na campanha eleitoral”, manifesta Corral.

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