A bordadeira Nereide Branco tem 63 anos, 50 deles dedicados ao bordado. “Eu era uma menina pobre e queria comprar blusas e sapatos. Meu pai não tinha dinheiro. Fui aprender a bordar a mão. A primeira peça que bordei foi um jogo de camisola que era feito de renda recortada. Uma professora da escola foi quem comprou.”
O bordado passou a ser a fonte de renda da jovem ibitinguense. Um dia o pai dela comprou uma máquina de costurar para ela bordar. “Com ela eu trabalhei muito. Aos 22 anos casei e meu sogro achou que eu poderia montar uma fábrica.”
A bordadeira adquiriu 13 máquinas e passou a dar emprego para este número de pessoas, que bordavam enxovais. “Eu ganhava muito dinheiro. Me sentia rica, mas era semi-analfabeta. Nessa época, as bordadeiras ganhavam muito, todas tinha carro. Uma pesquisa feita nesse período revelou que a cidade era uma das que apresentava maior número de CNHs.”
A bordadeira que não se conformava em ser semi-analfabeta foi para a escola. “Comecei a estudar. Cheguei à faculdade. Fiz Pedagogia, Desenho, Artes Plásticas e Estudos Sociais. Passei a ser professora e empresária, porque a indústria do bordado não parava."
Porém, as empresas não pagavam os impostos e os encargos sociais. “Nós não pagamos os impostos por muitos anos e quando veio a fiscalização tivemos que dar até as máquinas para quitar as dívidas. Fechei a indústria e sobrevivi como professora.”
O bordado, no entanto, não foi esquecido. “Passei quase 40 anos sem bordar comercialmente. Há poucos anos voltei a bordar. Estamos tentando resgatar os trabalhos artesanais que deram origem ao bordado de Ibitinga.”
Isabel de Souza Santos dedicou 25 dos seus 40 anos ao bordado. Começou na ‘maquininha” com a ajuda de uma vizinha. “Aprendi o básico e daí fui aperfeiçoando. Quando comecei a bordar, sustentava a família.”
Para ela, o bordado tem seus segredos e a finalização dele é que o diferencia dos demais. “Cada bordadeira tem seus segredos e um trabalho nunca é igual ao outro.”
Ela acha que as estamparias é que ofuscam o trabalho das bordadeiras. “Atualmente, tem muito tecido estampado.”
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Arte com as mãos
A criatividade dos bordados apresentados na 32ª edição da Feira do Bordado chama a atenção de todos os visitantes. A bordadeira Ana Maria Souza, por exemplo, borda manualmente toalhas de banho e peças, usando organza, sianinha, sutache e fitas.
O trabalho final é delicado e diferente. Para ela, que veio de Jales, a feira é uma vitrine. “Estou mostrando meu trabalho e a aceitação foi muito boa.”