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Mulheres de PMs fazem manifestação

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 2 min

Mulheres de policiais militares se reuniram ontem para protestar, mais uma vez, contra os baixos salários recebidos por seus maridos. Elas alegam que estão ganhando pouco, não contam com a cobertura de plano de saúde satisfatório e não têm onde morar.

A manifestação teve início na Praça Rui Barbosa na manhã de ontem e percorreu o Calçadão, chamando a atenção da população para o problema.

De acordo com a líder do movimento, Rosemaria Pereira, os policiais militares querem receber a reposição salarial de 33,45%. “O salário médio gira em torno de R$ 760,00 com o qual a maioria deles não consegue sustentar a família.”

A saída para complementar os salários é o serviço extra, batizado de bico. “Muitos são obrigados a fazer bico, fora do horário de trabalho da PM (Polícia Militar). Com a jornada dupla, eles ficam estressados e sem tempo para se dedicar a família.”

Além de receber baixos salários, o valor dos tickets não dá nem para fazer uma compra no supermercado, alegam as mulheres. “Eles recebem R$ 60,00 em tickets. Não dá para comprar quase nada. Os preços dos alimentos foram reajustados e o valor dos tickets continua o mesmo. Hoje este valor deveria ser, no mínimo, R$ 100,00”, frisa a líder.

Para completar a insatisfação da família dos policiais, o plano de saúde que eles têm não cobre exames e todos os atendimentos requerem o pagamento da metade do valor. “Nosso plano de saúde não cobre tudo. Nós pagamos a metade. A maioria dos exames não tem cobertura e temos que arcar com a despesa total.”

Sem teto

Baixos salários, altos índices de estresse, atendimento médico precário e sem casa própria para morar. É esta a situação que estaria, segundo a líder do movimento, vivendo os PMs do Estado de São Paulo. “Em Bauru são quase mil policiais militares. A maioria deles não tem casa própria.”

Sem poder adquirir a sonhada casa, os PMs pagam aluguel ou moram com parentes. “Com esse salário, alguns não têm nem como pagar aluguel e acabam indo morar com a sogra ou com os pais.”

A solução, segundo as manifestantes, seria o plano da casa própria. “Há quatro anos foi aberto um plano pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano). Os PMs tinham três meses para encontrar uma casa. Quando a gente encontrava, o engenheiro não aprovava porque tinha rachadura ou não tinha uma árvore.”

Muitos policiais não conseguiram adquirir a casa. “Eles ficaram de fora porque três meses era um tempo muito curto. Eles prometeram a reabertura do plano e estamos esperando até hoje.”

As mulheres alegaram que estão se manifestando porque seus maridos estão proibidos de participar de qualquer movimento reivindicatório. “Se eles participam, são punidos.”

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