A avalanche de informações recebidas de modo rápido e fácil pela Internet e a possibilidade de estar em qualquer lugar, com qualquer pessoa, a qualquer momento está banalizando as relações humanas. A afirmação é da psicóloga e sexóloga Dalva Taborianski.
Ela comenta que a exposição sensual ou sexualizada está virando “moda” entre os adolescentes e que, muitas vezes, a exploração da imagem ocorre com a permissão das meninas.
“Fazer sexo oral dentro da escola ficou tão ‘normal’ como dar um beijo na boca. Meninos de 12 anos estão buscando sexo homossexual na Internet. Adolescentes estão marcando encontros pela Internet. Essa situação toda está ficando fora dos limites e os pais estão realmente perdendo o controle sobre seus filhos”, lamenta.
Um dos problemas, segundo ela, é que os pais não estão em casa e os jovens passam o dia todo diante do computador, em busca das mais variadas informações. Por curiosidade, acabam se envolvendo com coisas ou pessoas inadequadas, o que inclui os casos de pedofilia e a exposição do jovem em situações constrangedoras.
Para a psicóloga, a Internet está mudando muito a relação do indivíduo com a própria sexualidade, o que pode ter sérias repercussões no futuro. Por isso, saber passar informações e exemplos sexuais adequados para os filhos torna-se ainda mais importante hoje que no passado.
“Uma garota de família normal, onde há respeito, limites e orientações, vai perceber que o sexo deve ser feito depois de algum amadurecimento, num momento de intimidade com o namorado, num local reservado. Se ela não tem essas noções, pode entender, aos 13 anos, que fazer sexo oral dentro da escola é tão natural e automático quanto mascar chiclete”, compara.
Privacidade
Questionada sobre as repercussões que uma exposição inadequada de sua sexualidade na Internet pode ter na vida de adolescentes, Taborianski afirma que as reações variam muito de uma pessoa para outra, mas que um acompanhamento psicológico é sempre importante nessas situações.
Ela explica que a privacidade é uma reação natural ao instinto de preservação do ser humano. “Toda mulher, quando vai usar um banheiro público, olha para os lados, para cima, para ter certeza de que não está sendo vigiada. Claro que existem as despudoradas, mas em situações normais, esse cuidado com a privacidade é instintivo. A relação sexual também é um momento de intimidade e quando a pessoa se vê exposta, ela se sente extremamente invadida”, garante.
No caso das adolescentes do Rio de Janeiro, que tiveram suas imagens divulgadas na Internet fazendo sexo, ela diz que as conseqüências são imprevisíveis, mas podem ser desastrosas. “Elas podem perder a confiança nos homens. Podem perder a naturalidade, onde quer que estejam, com medo de estarem sendo filmadas ou vigiadas. O ideal é que elas tenham acompanhamento de um terapeuta para reestruturar essa relação delas com a própria sexualidade”, defende.
Segundo ela, garotos do Interior tendem a imitar os da cidade grande. Por isso, é muito importante que os pais aproveitem a divulgação desses fatos para conversar com seus filhos.
“Os jovens precisam ter em mente que pai e mãe são seus melhores amigos, que são as pessoas mais preparadas para entender, conversar e orientar”, conclui.