A história da cafetina mais famosa do País, Eny Cezarino, pode ser tema de uma minissérie da Rede Globo. O novelista Walter Negrão esteve em Bauru no último fim de semana para colher dados sobre o assunto.
“Não tem nada certo ainda. Estou pesquisando para propor para a Globo. Comecei a pesquisa neste ano, no mês passado”, explica o escritor, em entrevista ao JC Cultura.
Ele conta que o ponto de partida para sua pesquisa foi o livro “Eny e o Grande Bordel Brasileiro”, do jornalista bauruense Lucius de Mello. “Vou ver se extraio coisas além do livro. Vou continuar pesquisando porque ainda não sei qual é o período que vou abranger. Está tudo na dependência de ser aprovado pela Globo”, conta Negrão.
O novelista está aproveitando as férias para fazer a pesquisa. Ele pretende voltar a Bauru em agosto para participar de um leilão de gado e aproveitar para dar continuidade ao trabalho.
Autor da minissérie “A Casa das Sete Mulheres” e da novela “Como Uma Onda”, Negrão reuniu-se em Bauru com a professora Lúcia Helena Ferraz Sant’Agostinho e com o empresário Paulo Medina. Na casa dele, entre um cigarro e outro, ouviu histórias por mais de três horas.
“Como eu tinha muito contato com a Dona Eny, ele foi na minha casa para bater um papo. Ele queria saber da vida dela, da doença, do enterro. Ele veio para tirar as vigas para fazer a minissérie”, conta o empresário. “Eu tenho móveis dela que comprei quando ela estava doente, precisando de dinheiro; eu financiava tudo para ela; eu vestia as meninas porque eu tinha loja; eu coordenava tudo para ela. Nós éramos amicíssimos”, salienta.
A idéia inicial é que a minissérie siga os moldes da última assinada pelo novelista, “A Casa das Sete Mulheres”, focando os aspectos históricos do período. Além disso, o trabalho e deve reunir novamente o escritor e seu parceiro Jayme Monjardim, como diretor.
Carreira
Natural de Avaré (SP), Walter Negrão nasceu em 1941. No início de sua carreira, trabalhou como jornalista nos veículos “Última Hora”, “Cláudia”, “Status” e “Veja”.
Começou como roteirista e escritor de televisão aos 18 anos, na TV Tupi de São Paulo. Depois de passar pela Record e novamente pela TV Tupi, foi contratado pela Globo. Assina os roteiros de “Pão Pão, Beijo Beijo”, “Livre para Voar”, “Fera Radical”, “Top Model”, “O Sorriso do Lagarto”, “Despedida de Solteiro”, “Tropicaliente”, “Era Uma Vez”, “Vila Madalena” e “Como Uma Onda”, entre outras novelas.
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Ela
Paulistana de origem italiana, foi em Bauru que Eny Cezarino encontrou seu caminho e tornou-se conhecida em todo o País nas décadas de 50 e 60 por ser proprietária do famoso cabaré Casa da Eny.
Pela propriedade de mais de 15 mil metros quadrados, passaram celebridades, políticos e empresários. Preocupada em oferecer conforto e serviço de qualidade a seus clientes, Eny abria as portas de seu estabelecimento e disponibilizava a eles quarenta quartos, duas suítes, piscina, jardins, sauna, bares e restaurante.
Devota de São Jorge, conta a história que ela sonhava em ser mãe, mas fez vários abortos. Aconselhava suas meninas a não engravidar, embora tenha criado dezenas de filhos delas.
O bordel lhe rendeu fama e dinheiro, mas Eny morreu pobre numa cama de hospital em 24 de agosto de 1987, aos 69 anos.