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Aluno do supletivo terá bolsa-auxílio

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 4 min

Depois do Bolsa-Escola, agora é a vez dos alunos do supletivo da rede estadual receberem auxílio financeiro. A Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social lançou o Ação Jovem, um programa que concede R$ 60,00 por mês para estudantes que cursam supletivo de 5ª a 7ª série, com idade entre 15 e 24 anos e renda de até dois salários mínimos. Em Bauru, a estimativa é que cerca de 1 mil alunos podem receber o benefício, que já é pago a estudantes da Capital, Campinas, Sorocaba e Baixada Santista.

O Bolsa-Escola é um programa do governo federal destinado a famílias com renda per capita mensal inferior a R$ 90,00 cujas crianças de 6 a 15 anos estiverem freqüentando o ensino fundamental regular. A família passa a receber R$ 15,00 mensais, por aluno, limitado a R$ 45,00, ou três crianças por família. O Escola da Juventude, curso supletivo para o ensino médio com aulas dadas aos sábados e domingos e que em Bauru tem mais de 170 alunos, também oferece bolsa de R$ 60,00 mensais.

Já o objetivo do Ação Jovem é incentivar o aluno do supletivo a continuar estudando, explica Vera Nilce Ludke Jarussi, dirigente regional de Ensino. “É uma ajuda de custo para transporte, lanche. Cerca de 20% dos alunos matriculados nas 15 escolas de Bauru que oferecem supletivo dos ensinos fundamental e médio abandonaram o curso neste primeiro semestre. É um índice alto. Como cai muito o número de alunos, sempre temos que também reduzir o número de classes no segundo semestre!”, ressalta.

Ela relata que no ensino supletivo é comum o aluno iniciar os estudos e abandoná-los antes de concluir o curso. “Hoje, a pessoa sabe que tem que estudar porque o mercado exige profissional qualificado. Mas alguns não têm como ir à escola por questões financeiras. Então, essa bolsa-auxílio é um incentivo para que o aluno não deixe de estudar. Há casos de alunos que iniciaram o supletivo três, quatro vezes e sempre abandonaram”, frisa.

Evasão

No ensino regular, o índice de evasão em Bauru não passa de 5%, de acordo com Jarussi . “Nas primeiras séries do ensino fundamental (1ª a 4ª série), cujas aulas são dadas durante o dia, a evasão é de 1%. No noturno, que envolve alunos que já trabalham, aumenta um pouco, para a casa dos 3%. E no ensino médio (antigo colegial) é comum um índice maior de faltas e a evasão fica em torno de 4% a 5%”, comenta.

Além de tentar reduzir a evasão escolar no ensino supletivo, o Ação Jovem também visa trazer de volta para a escola aqueles que abandonaram os estudos sem concluir o ensino fundamental, frisa Maria Perroni, diretora regional da Secretaria Estadual de Assistência e Desenvolvimento Social. “É um incentivo para aqueles que estão fora da escola voltarem a estudar e os que já estão matriculados a não abandonarem os estudos”, completa.

Para o balconista Carlos Augusto Barros, 23 anos, morador no Núcleo Leão 13, que abandonou a escola na 5.ª série, a bolsa do Ação Jovem realmente será um incentivo para voltar a estudar. “Já comecei o supletivo várias vezes, mas sempre acabei largando. Agora, se realmente tiver essa bolsa, que pode ajudar no transporte, quero ver se volto. Tenho um filho pequeno e espero que também estejam investindo na qualidade de ensino, não só em ajuda”, analisa.

Após perder o emprego de operador de máquina, função que exercia há dez anos, Márcio Luiz Batista, morador no Parque Roosevelt, constatou que precisa voltar a estudar. “Estou procurando emprego há cerca de um ano e em todos lugares querem o ensino médio e eu tenho até a 8ª série. Vou fazer o supletivo a partir de agosto. Quando a gente está empregado, acaba acomodando-se”, observa.

A meta do governo do Estado, lembra Perroni, é conceder a bolsa-auxílio a 100 mil estudantes até o final deste ano - 15,5 mil já foram beneficiados pelo programa. O benefício é concedido por um ano, prorrogável por mais um. O Ação Jovem também está beneficiando estudantes do Centro Paula Souza com 10 mil vagas para garantir a permanência dos estudantes de baixa renda até o final do curso.

• Serviço

Para receber a bolsa-auxílio, os alunos precisam cadastrar-se, através da Internet, no site www.ajove meduc.sp.gov.br, até o dia 31 de agosto.

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Incentivo

Programas como o Ação Jovem, que concedem ajuda financeira aos alunos ou suas famílias, realmente contribuem para o ensino ou acabam sendo uma oportunidade para quem está mais preocupado em conseguir dinheiro do que estudar? Para a pedagoga Marisa Aparecida Pereira Santos, de uma forma ou de outra, o benefício acaba incentivando as pessoas a estudar e isso é o mais importante.

“É claro que um benefício como este pode atrair tanto quem, num primeiro momento, está mais atrás de dinheiro do que do estudo, quanto quem realmente quer estudar e não consegue. Mas, estando na escola, mesmo quem estava mais preocupado com o dinheiro, pode sentir-se motivado e continuar”, analisa.

Na avaliação de Santos, o ideal seria os estudantes e suas famílias não precisarem de auxílio financeiro, mas todo incentivo ao estudo é bem-vindo.

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