Tribuna do Leitor

Miséria moral


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Na história política do Brasil, a corrupção sempre esteve presente de forma viva, atuante e permanente. As campanhas sempre se fizeram com recursos cujas origens são, ao mínimo, estranhas. Desta forma, até para dar um tratamento bíblico à crise (em homenagem às malas do PL/PFL e seus “donativos de fiéis”), não será dado a nenhum partido atirar a primeira pedra, porque todos pecam, pecaram e pecarão. Sabidamente, aqui nos trópicos a corrupção dói mais, porque cerca de metade da população não tem renda suficiente para fazer duas refeições por dia. Já na Europa, na América do Norte e até na parte da Ásia desenvolvida, o baque é muito menor. Além das refeições diárias, a maior parte da população dispõe de sabonete para fazer sua higiene pessoal e, pasmem, até desodorante e dentifrício.

É preciso não se fazer concessão à hipocrisia pefelista e peessedebista. Eles sabem o quanto já corromperam, o quanto já compraram votações, o quanto já adquiriram parlamentares e o quanto continuam a delinqüir. Portanto, não podem ser os lançadores de qualquer tipo de pedra.

O que não tira, evidentemente, as culpas do PT. Mas sem ironia, e sim com absoluto desprezo à classe política (em sua quase unanimidade), forçoso é reconhecer que o PT foi apenas descuidado em fazer aquilo que todo partido fez, faz e fará. Pelo menos enquanto perdurar esta cultura de sarjeta que transforma o mandato político em comércio dos mais degradantes. Esta é a mãe, origem e vertente de todas as nossas misérias, materiais ou morais. Atenciosamente.

Marco Antônio de Souza - OAB/SP 55.799

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