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HB suspende hemodiálise de 5 pacientes

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Por falta de material e problemas nas máquinas, cinco pacientes que fariam hemodiálise no final da tarde de ontem, no Hospital de Base (HB) em Bauru foram dispensados sem realizar o processo. A decisão causou indignação e insegurança nos pacientes, que estão apreensivos quanto à qualidade do tratamento. “Depois as pessoas morrem e ninguém sabe explicar porquê”, destaca o funileiro Alcides Lopes de Camargo Neto, que realiza o processo há cerca de dois anos no HB.

Revoltado, ele diz que a dispensa de ontem não foi um caso isolado. “Não é de hoje que estamos enfrentando uma situação complicada no tratamento. Há falhas constantemente, só que agora chegamos ao limite da precariedade”, ressalta.

No começo da tarde de ontem, a reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), que mantém o HB. A assessoria explicou que cinco máquinas que realizam o processo haviam apresentado problemas e entrado em manutenção. Segundo o órgão, a falha havia sido sanada com a visita de técnicos especializados no conserto do equipamento. “Não houve dispensa no atendimento, apenas remanejamento de horários”, disse Zarcillo Barbosa, assessor de imprensa da AHB.

No entanto, algumas horas depois, cinco pacientes foram dispensados do tratamento pela falta de uma solução utilizada no processo.

Procurado mais uma vez, o assessor destacou que o caminhão que estava trazendo o produto do Rio de Janeiro teve um problema na viagem e atrasou. Para tentar amenizar o problema, o HB teria conseguido uma parte da solução junto ao Hospital das Clínicas da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.

No entanto, a quantidade não deu para atender a todos os pacientes. Cinco foram dispensados e os demais tiveram o tempo de hemodiálise reduzido de quatro para cerca de duas horas e meia. “Minha mãe está lá dentro fazendo o tratamento, mas já avisaram que vão dispensá-la assim que a solução acabar”, afirmou a operadora de caixa Simone Marques, que estava do lado de fora do hospital esperando a liberação da mãe.

O problema é que, segundo ela, esse tempo de hemodiálise é insuficiente para manter o organismo livre das toxinas. “Sábado minha mãe ficou apenas três horas na máquina e teve uma série de problemas, como falta de ar, câimbra e queda de pressão”, salientou.

Dispensado

O auxiliar de escritório Vanderlei Aparecido Ambrósio, que também havia sido dispensado do tratamento ontem no final da tarde, temia pelas conseqüências dessa falta de atendimento. “A diretoria do hospital fica falando que está tudo bem, mas os próprios funcionários do hospital comentam que não é bem assim. Eles (diretoria) falam isso porque não é a saúde deles que está em risco”, frisou.

Ele destacou que a hemodiálise de ontem, que estava marcada para as 15h, só começou às 17h, e assim mesmo para um número restrito de pacientes. “Não tem máquina nem solução suficientes para todos”, contou.

Outra reclamação dos pacientes é de que estariam sendo reutilizados materiais no tratamento que já teriam extrapolado o limite de uso. “Os capilares, que podem ser usados até 12 vezes, têm sido colocados 15, 16 vezes”, ressalta Camargo Neto.

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Responsabilidade médica

A reportagem do Jornal da Cidade tentou entrar em contato com a médica responsável pelo setor de hemodiálise do Hospital de Base (HB) ontem à noite, mas foi informada por uma funcionária do hospital, que se apresentou como Andréia, que a profissional não falaria sobre o assunto. “Ela disse que isso tem que resolver com a diretoria”, disse.

Questionada sobre o risco de se dispensar o paciente sem a realização da diálise, a funcionária explicou que isso tinha ocorrido por falta de material e que somente a diretoria da associação poderia se manifestar sobre o problema.

Já o assessor de imprensa da Associação Hospitalar de Bauru (AHB), Zarcillo Barbosa, rebateu, dizendo que o médico sabe o que está fazendo e se responsabiliza pela dispensa dos pacientes. “A diretoria não pede para que os médicos façam nada errado, mesmo porque os profissionais não correriam o risco de acatar ordens que colocassem em risco o seu nome. Se os pacientes foram dispensados, os médicos se responsabilizam por isso”, destaca Barbosa.

Consultada pela reportagem, a médica nefrologista pediatra do Hospital das Clínicas da Unesp de Botucatu, Amélia Trindade, destaca que a decisão de dispensar o paciente da hemodiálise só pode ser tomada com base na análise do estado clínico do paciente. “Ser renal crônico já é um risco de vida. O médico pode até suspender o tratamento, mas essa autorização deve ser dada depois de mensurado o nível físico da pessoa”, frisa.

Na opinião da médica, uma solução a ser adotada nesse caso é a remoção do paciente para outro hospital que ofereça o serviço, evitando, assim, a dispensa.

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