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SUS e o câncer


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Atualmente, o câncer é a segunda doença que mais mata no Brasil, ficando atrás apenas das patologias cardiovasculares. Perde ainda para mortes por causas externas, tais como acidentes e violência. E as conseqüências socioeconômicas do câncer no adulto de idade produtiva, na família e amigos são inquestionáveis.

O paciente com câncer necessita de agilidade no atendimento e de métodos de diagnóstico capazes de detectar o comprometimento dos seus órgãos. A decisão terapêutica se baseia nestes exames, mas muitas vezes eles estão indisponíveis em tempo hábil. Tem-se, então, de tomar a conduta de operar eventualmente um paciente com metástases ou de esperar muito tempo e a doença se espalhar.

Falta ainda um sistema de encaminhamento no SUS, para onde o paciente ligue e possa encontrar um serviço preparado a absorvê-lo. E há hospitais de referência que não aceitam pacientes que já tenham tido o diagnóstico firmado em outro serviço. Neste caso, ele perde o acesso a especialistas de diversas disciplinas - tão necessários à boa condução do tratamento. Muitos pacientes ficam completamente perdidos e demoram um tempo fatal para encontrar um serviço que os acolha adequadamente.

O sistema, hoje, se baseia na municipalização dos tratamentos de alta complexidade, como é o caso do câncer. Porém, a cidade de São Paulo, só para citar um exemplo, recebe pacientes de todo o Estado e de todo o País.

Os tetos têm de ser revistos também de forma diferenciada para os exames para a prevenção, bem como na cirurgia de diversos portes diferentes. É importante que estas etapas, que possuem grande potencial para a cura do paciente, recebam mais verbas adicionais.

Existe um custo elevado nos tratamentos e a limitação de verbas para a área prejudica o atendimento adequado, além de ferir a Constituição, na Lei Orgânica da Saúde, segundo a qual os pacientes têm direito a todos os tratamentos.

Existe a necessidade de que as seguradoras e os convênios repassem ao governo o que este deve receber pelo atendimento dos seus associados, pois é comum pacientes de certas seguradoras se verem obrigados a procurar o SUS para determinados procedimentos ou tratamentos. Portanto, é imperativo o cruzamento das informações e o devido custeio das intermediadoras de saúde com reembolso ao SUS.

Como a verba é insuficiente e as necessidades do País são muitas, devemos debater com seriedade a criação de um imposto, talvez a nível estadual, para o tabaco, com o intuito de, mesmo em alíquota simbólica (por exemplo 0,5%), haver um financiamento para o sistema público, que pagaria parte do custo que o cigarro gera para a saúde e o governo.

Neste momento, em que acaba de assumir o novo ministro da Saúde, seria muito importante a criação de uma Secretaria Especial do Câncer, nos moldes da extinta Divisão Nacional do Câncer, que, juntamente com o Inca, centralizaria todas as informações dos três níveis (municipal, estadual e federal), para que não haja desperdícios e se viabilize uma sistemática inteligente e racionalizada para o funcionamento do sistema.

O autor, Nise Yamaguchi, é presidente da Sociedade Paulista de Oncologia Clínica

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