Regional

Administrador da Funai pede demissão

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

O administrador regional da Fundação Nacional do Índio (Funai) de Bauru, Amaury Vieira, solicitou exoneração do cargo. Mesmo não concordando com o pedido, o presidente do órgão, Mércio Pereira Gomes, decidiu aceitá-lo. Na próxima semana, um assessor será designado para visitar as aldeias e saber quais as indicações para substituir Vieira.

Até a escolha do novo administrador, o trabalho no escritório da Funai será conduzido interinamente pelo administrador regional substituto, Emílio Pereira.

Por tratar-se de um cargo de confiança, o nome indicado pelos índios e funcionários terá de ser aceito também pelo presidente do órgão.

Vieira deixa a administração depois de dois anos e oito meses no cargo. A pressão de uma parte dos caciques e lideranças indígenas das aldeias do centro-oeste paulista pela saída do administrador foi a principal responsável pelo pedido de exoneração.

No começo deste ano, um grupo de índios foi até Brasília para solicitar o afastamento de Vieira, mas o pedido não foi aceito pelo presidente da Funai. As pressões continuaram e, no último dia 6, Vieira decidiu solicitar sua exoneração após uma reunião na sede da Administração Regional, em Bauru, com as lideranças indígenas.

Além da pressão de uma parte dos índios, Vieira disse que após dois anos e oito meses no cargo também existe um desgaste natural. “Não quero me expor nem expor a Funai a esse tipo de desgaste”, justificou ele.

Vieira é funcionário de carreira dentro da Funai, onde trabalha há cerca de 30 anos. Ele deixará o cargo em comissão, mas continuará trabalhando em alguma função administrativa.

Antes de assumir o cargo de administrador regional, Vieira era chefe de serviço - outro cargo em comissão. Ele foi nomeado para chefiar a Funai de Bauru após o afastamento do então administrador Rômulo Siqueira de Sá, em 2001.

Na época, a pressão das comunidades indígenas foi decisiva para a mudança. Alguns meses após a exoneração, Vieira assumiu a função com amplo apoio dos índios.

Em março deste ano, parte das lideranças indígenas que haviam dado apoio a Vieira passou a pedir o afastamento dele. Na ocasião, o cacique Darã, da aldeia Tereguá, em Avaí, uma espécie de porta-voz dos descontentes, alegou que o administrador havia perdido a confiança dos índios. Isso teria acontecido porque o administrador não afastou dois funcionários acusados de irregularidades. Vieira se defendeu dizendo que tomou todas as medidas necessárias para investigar as denúncias.

Diante do pedido de exoneração do administrador regional, servidores da Funai de Bauru encaminharam um manifesto de repúdio ao presidente do órgão. No documento, eles pedem uma atenção especial para as indicações que forem feitas pelos índios que queriam a saída de Vieira.

De acordo com os servidores, essas lideranças indígenas não mostram coerência em suas atitudes e o objetivo deles seria conquistar cargos comissionados dentro da Funai. Os servidores pedem ainda que a escolha do novo administrador se dê por meio de um consenso entre os índios e os próprios servidores.

A Funai de Bauru é responsável por 32 aldeias instaladas nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro. A reportagem não conseguiu ouvir nenhuma liderança indígena para comentar à saída de Vieira.

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