Tribuna do Leitor

Histórias de Bauru


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Histórias reais de personagens que parecem fantásticos e relatos que se confundem com 109 anos de Bauru. A história de uma cidade vai muito além do relato e registro de nomes das pessoas que a fundaram. A realidade é feita de uma teia de histórias, muitas vezes, ignoradas pelos compêndios da história oficial. Seja porque não são bonitas, seja porque interessa a história oficial que não sejam conhecidas.

Ou simplesmente porque, apesar de verídicas, foram incorporando elementos ao ser narradas de geração a geração. A história de Bauru está repleta dessas histórias que integram a memória da cidade. São relatos relevantes e isolados de pessoas ou locais que, de alguma maneira, acabaram esquecidos no passado e desconhecidos da maior parte da população. Contar algumas dessas histórias é a minha proposta. Bauru é corrupção de “üpaú”, r, ú, ou antes “upaú”, r, y”, rio da lagoa ou dos banhados. Frei Francisco dos Prazeres dá ao vocábulo esta tradução: cesta Ita. Também neste significado “Bauru” quer dizer “Lagoa Escura”.

Existem inúmeras pessoas, cujos nomes estão registrados na história de Bauru, vultos ilustres, que contribuíram de alguma forma para o engrandecimento da cidade. Azarias Leite, Monsenhor Claro, Luiz Edmundo Coube, Gerson França, Silvio Saint Martin, Ernesto Monte, Rodrigues de Abreu, Antonio Guedes de Azevedo, Nuno de Assis, João Maringoni, José da Silva Marta e muitos outros. O primeiro grupo escolar de Bauru, instalado onde hoje funciona o Colégio São José, inaugurado em 1913, recebeu, em 1938, a denominação de Grupo Escolar Rodrigues de Abreu.

Antes disso, existiam as escolas isoladas nos vários pontos da cidade. Não esquecendo do hediondo crime de Bauru, contra o Coronel Azarias Leite. Acontecimentos políticos que culminaram com esse assassinato, crime político ou tocaia?

Dante Alighieri, 7/10/1906, numerosa colônia italiana residente em Bauru reúne-se para juntar a então denominada Societá Italiana di M.S. Dante Alighieri. Os italianos que sempre tiveram presença marcante em Bauru, a cidade que situa-se nas cabeceiras do rio Bauru. Uma das famílias pioneiras de Bauru foi a família Quaggio, que chegou da Itália na época da Proclamação da República em 1889 e desembarcou no Porto de Santos até Descalvados, onde eram distribuídos os imigrantes. De lá, iam até o sertão (Bauru) de carro de boi ou até a F Val de Palmas para trabalhar na lavoura de café. Nessa fazenda, existia um casarão. Quando Getúlio Vargas veio para Bauru se hospedou lá. Em 1912, esses imigrantes compraram terras aqui em Bauru, onde hoje é a Vila Quaggio. Alexandre Quaggio, pertencente a essa família de imigrantes, fundou a ECCB (hoje extinta).

Surge então a Noroeste, Sorocabana e Ituana, que, em 1899, chegara a Bom Jardim, e completaria em 1º de março de 1905, o trecho Botucatu-Bauru, numa extensão de 129 quilômetros.

O Liceu Noroeste, o Hospital Lauro de Souza Lima, em 13/04/1936, o Noroeste, uma paixão bauruense. Em 7/1/1896, Bauru teve o primeiro prefeito, José Alves de Lima. Em 12/10/1908, foi inaugurado o edifício da Câmara Municipal, o acontecimento foi noticiado pelo jornal “O Bauru”.

Pessoas que passaram, que viveram e viravam histórias como a Eny e o dramaturgo Mauro Rasi que também deixou um marco nesta cidade. Bauru tinha, em 1974, 168.169 habitantes; hoje são 335 mil habitantes.

Muitas coisas mudaram, passaram e viraram histórias. Bauru, cidade das universidades, da famosa Noroeste, do Calçadão da Batista, do Expresso de Prata, da Tilibra, que continua produzindo e exportando para o mundo, dando empregos para os bauruenses. Bauru é considerada uma cidade sem limites, mas necessita de indústrias para gerar novos empregos.

Bauru, como o coração de São Paulo, tem que ser um exemplo para as demais cidades. Senhores governantes, antes de qualquer decisão, pensem na melhoria da nossa cidade, pensem mais no povo bauruense, para que nossa cidade não se torne um caos, um faroeste abandonado... Essa cidade tem muitas histórias e terá muitas outras com o passar dos anos para que o povo possa orgulhar-se do destino da nossa querida Bauru. Parabéns pelos 109 anos.

Ana Sônia - RG 38.965.239-8

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