Bauru 109 anos

Meta exige reflexão

Daniela Bochembuzo
| Tempo de leitura: 2 min

A conquista do objetivo de promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres exige reflexão por parte da sociedade, na avaliação de Rosa Maria Morcelli, presidente do Conselho Municipal da Condição Feminina (CMCF).

“Há 30 anos conquistamos efetivamente o direito de trabalhar, mas ainda ganhamos menos que os homens em cargos de igual responsabilidade. No século passado, passamos a participar das eleições, mas não votamos em mulheres. Somos maioria nas universidades, mas essa conquista não se reflete no todo das mulheres. Tudo isso mostra que não estamos alcançando a questão da igualdade e precisamos refletir sobre o porquê disso”, afirma Morcelli.

Para a presidente do CMCF, o primeiro passo está na maior participação das mulheres no processo de construção de igualdade, apropriando-se de dados e articulando-se para exigir mudanças de fato. “É necessário investir em cursos de formação”, sugere.

Essa é uma das metas do conselho, que amanhã oficializa a formação da composição das 22 conselheiras para o biênio 2005-2007. O processo irá formalizar o que já foi discutido em reuniões preparatórias realizadas no mês de julho.

A idéia é que as 22 conselheiras sejam capacitadas por meio de cursos e seminários sobre legislação, composição dos Poderes Públicos, reconhecimento da realidade e, a partir de então, passem a lutar com criatividade para a execução de políticas públicas para a mulher.

Outro passo envolve a formalização de parcerias com universidades e institutos locais para levantar em dados a questão da mulher em Bauru. A terceira ação inclui a implantação de núcleos de mulheres na periferia. “Queremos formar multiplicadoras e identificar lideranças”, explica Morcelli.

Um instrumento que permitirá essa identificação é o curso “Consumo consciente dez! – Mulheres, chefes de família, juntando a fome com a vontade de fazer o direito valer”, conjunto de oficinas de capacitação sobre o direito do consumidor que será realizado em 40 bairros da periferia pela Cáritas Diocesana.

“Queremos instrumentalizar essas mulheres para que possam consumir com qualidade e exigir seus direitos”, pontua Morcelli, que é voluntária da Cáritas.

Enquanto identifica lideranças e as capacita, o CMCF também estuda a elaboração de projeto para alterar sua função de consultivo para deliberativo. “Estamos consultando órgãos em várias instâncias, estados e municípios para nos preparamos para mais essa luta, que acreditamos ter direito”, finaliza.

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