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Sexo casual exige ‘regras’ básicas

Cristiane Goto
| Tempo de leitura: 3 min

Não esperar ou cobrar compromisso afetivo do parceiro é uma das “regras” do sexo casual. Segundo a psicóloga bauruense Carmen Maria Bueno Neme, as questões educacionais e as expectativas culturais e sociais ainda são muito determinantes do comportamento sexual feminino.

Mulheres que tiveram uma educação direta ou indiretamente mais permissiva para serem decididas, fortes ou seguras, apresentam maior facilidade para separar afeto de sexo e conseguem obter satisfação sexual em relacionamentos casuais, sem muitas expectativas, avalia Neme.

É o caso da advogada Inara*. “Minha educação não era dogmática e aprendi que o princípio básico para ser feliz era nunca mentir para mim mesma”, diz.

A cientista política e professora da Universidade Estadual Paulista de Araraquara Maria Teresa Kerbauy aponta que a família pode ajudar a mulher a aceitar o processo de liberação sexual. “O apoio familiar é importante, mas independente disso, muitas mulheres buscam optar por esse processo, de acordo com suas crenças, formação ou capacidade de enfrentamento das regras sociais impostas pela tradição”, diz.

Para a psicóloga, esse tipo de comportamento ainda é exceção entre as mulheres. “A maioria associa afeto e ideais românticos à sexualidade e apresenta dificuldades em deixar de nutrir expectativas amorosas em seus encontros de caráter sexual”, ressalta.

Preconceito

Embora seja adotado por muitas mulheres, o sexo casual ainda esbarra em diversas formas de preconceito na sociedade. Maria Teresa Kerbauy explica que a prática não é aceita pela Igreja Católica ou pelos mais conservadores.

“Essas mulheres enfrentam preconceito social. As de camadas mais baixas sofrem ainda com a falta de políticas públicas efetivas que possam ajudá-las a apontar essa posição mais independente”, diz Kerbauy.

Inara afirma que os homens, em especial, são os mais preconceituosos. “O homem, vendo a mulher sozinha que opta pelo sexo casual, interpreta que ela é uma mulher fácil. Das pessoas com quem me relacionei, uma só não foi preconceituosa comigo, inclusive nós somos amigos até hoje”, conta.

Maria Eduarda concorda com Inara. “Eu sou solteira e as pessoas sempre me cobram se não vou casar. Isso não é uma hipótese descartada, mas hoje uma das minhas prioridades é estabilizar-me mais profissionalmente”, diz.

* (Nomes fictícios usados para preservar a identidade das entrevistadas)

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História

O comportamento sexual feminino, pautado pela maior determinação e liberação sexual, está ligado à Revolução Industrial, aponta a psicóloga Carmen Maria Bueno Neme. Desde essa época, a necessidade do trabalho feminino “fora de casa” e em contextos masculinos provocou mudanças em padrões socioculturais de comportamento, “aproximando” homens e mulheres, explica Neme.

“Essa ‘aproximação’ entre papéis masculinos e femininos, traduzida em termos de redução de diferenças econômico-sociais e de diminuição de preconceitos sobre a capacidade da mulher, não levou à equiparação, mas gerou o fenômeno que hoje observamos, em que inúmeras mulheres são ‘chefes de família’”, detalha.

Conseqüentemente, o novo cenário levou as mulheres a desenvolver um comportamento mais competitivo, determinado e agressivo, ressalta Neme, que - juntamente com as mudanças sociais - permitiram alterações no comportamento sexual e afetivo das mulheres. “Elas puderam reconhecer melhor sua sexualidade e exercê-la com menos culpa e mais independência”, define.

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