Tribuna do Leitor

MULTA POR DESMATAMENTO NO IGAP


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É uma piada? O proprietário de um lote de 3,5 mil metros quadrados no Vale do Igapó, loteamento localizado na divisa de Bauru e Pederneiras, foi multado em apenas R$ 360,00 por desmatamento dessa significativa área.

Sem desmerecer o eficaz e valoroso trabalho do agente voluntário, a multa foi irrisória, muito pouco para quem insiste em ignorar a lei de preservação de 20% da vegetação. Para pessoas sem a menor consciência de responsabilidade ambiental, fica muito mais barato destruir tudo, atear fogo e depois pagar a multa, caso ela ocorra. Considerando-se que apenas uma multa por excesso de velocidade possa custar mais de R$ 500,00, causa indignação a impunidade e o descaso com que o meio ambiente é tratado no Brasil.

O Vale do Igapó é lindo, precisa urgentemente ser preservado, pois ainda é um dos poucos lugares da nossa região coberto por Mata do Cerrado, rico em biodiversidade. Considerando-se que um terreno de mil metros nesse local tenha umas cem árvores, isso significa que a multa, nesse lote, foi de aproximadamente R$ 1,00 por árvore. Como pode valer tão pouco um elemento indispensável à vida no Planeta? E a vida animal que lá existia? Tanta destruição para construir uma casa ou simplesmente para lazer de uma família.

Há inúmeros outros casos, tanto no Igapó quanto em outras partes da cidade, de pessoas ignorantes e inescrupulosas que desmatam toda a cobertura vegetal de seus terrenos. Por isso, é preciso que haja fiscalização, denúncia por parte da população, uma política de conscientização ambiental e punições exemplares. Felizmente, no Igapó há muitos proprietários e moradores conscientes e sensíveis, pessoas que respeitam e consideram a natureza um bem coletivo.

A propósito, houve, no final da semana passada, a ocorrência de diversos focos de incêndio em Bauru, em algumas áreas também cobertas por vegetação nativa; um deles ocorreu ao lado das Nações Unidas e dos condomínios Campo Belo e Limpo, outro nas imediações do restaurante Tayu e Condomínio Paineiras, apenas para exemplificar. Se essa prática tem tantos adeptos é porque pouco se tem feito para coibir esse nocivo procedimento, a despeito dos esforços da Semma e da Polícia Florestal. Embora haja aparato legal para proteger o meio ambiente (a nossa legislação ambiental é uma das mais avançadas do mundo), sem a atuação efetiva dos membros do Ministério Público, e sem o exercício da cidadania, a flora e a fauna continuarão sofrendo todo tipo de abuso, exploração e agressão.

O Corpo de Bombeiros teve de se desdobrar para atender aos vários chamados, aliás, é praticamente o único órgão no Brasil que tem mais credibilidade e merece a confiança da população. Como não tinha condição estrutural de atender a todos ao mesmo tempo, muita coisa foi irremediavelmente queimada. É incrível que num país com tanta corrupção e desmandos, justamente a taxa dos bombeiros tenha sido suspensa. Esse recurso ajudaria a equipá-los para que pudessem prestar um rápido socorro à natureza e à população. Por que não continuarmos pagando essa merecida, necessária e justa taxa? (Pedro de Souza Meira - RG 27.849.708-1)

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