Bairros

Fechado bolsão de entulho do Bauru 16

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Em menos de um ano a erosão do Núcleo Habitacional Edson Francisco da Silva (Bauru 16), às margens da rodovia Bauru-Marília, foi preenchida por entulho. Agora as opções em Bauru para destinação correta dos resíduos da construção civil, sem que haja dano ambiental, estão reduzidas.

Carlos Barbieri, secretário municipal do Meio Ambiente, explica que durante esta semana o entulho está sendo direcionado para uma erosão localizada nos Lotes Urbanizados, na região leste da cidade.

“Em Bauru hoje nós não sabemos como vai ficar o entulho porque o município não tem área disponível para o volume de material que está sendo gerado. A gente precisa realmente montar uma usina de reciclagem. Esse é o caminho. Fora isso é paliativo”, afirma o secretário.

Ele explica que os técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) estão buscando outras opções para as cerca de 600 toneladas diárias produzidas na cidade. Uma grande erosão localizada no final da rua Alves Seabra está sendo avaliada para verificar a possibilidade de receber o material.

Entretanto, Barbieri ressalta que o local exige obras de drenagem antes de receber entulho. Ele esclarece que a determinação da administração é não jogar entulho em qualquer lugar da cidade sem um planejamento prévio.

O bolsão de entulho do Bauru 16 teve vida curta. Ele começou a receber os restos de construção civil há menos de um ano, em substituição ao bolsão de entulho da Pousada da Esperança, uma outra erosão que recebeu materiais inservíveis por cerca de 10 anos.

A erosão do Bauru 16 que funcionava como bolsão de entulho agora está coberta com terra. Mas existem pequenos montes de materiais descobertos no local que, segundo Barbieri, foram jogados recentemente por pessoas que não sabiam da desativação do bolsão de entulho.

A reportagem do JC esteve ontem no local e constatou que não havia movimento de caçambas e caminhões com entulho. No terreno, tijolos empilhados e outros materiais sugerem que o material foi retirado do bolsão.

Triturador

A proposta da Semma é reciclar o entulho da construção civil. Leandro Razuk Ruiz, diretor do Departamento de Ações e Recursos Ambientais da secretaria, conta que uma mineradora cedeu para a administração municipal um triturador, que ainda não entrou em funcionamento por falta de local adequado para instalação.

Barbieri explica que, agora, está procurando um lugar adequado para a máquina recicladora, que gera muito ruído. “O problema é que eu não tenho onde instalar”, explica. A máquina, segundo ele, tem capacidade para processar 60 toneladas diárias de entulho.

Ruiz explica que a proposta é produzir vários tipos de produtos derivados do entulho. O processo de reaproveitamento vai resultar em areia e pedras, que podem ser utilizadas em aterros e na recuperação de estradas. Do entulho se separa madeira, vidro e gesso. A ferragem é separada por um eletroímã. Se aproveita concreto, laje, telhas, tijolos para a contenção de erosões”, detalha.

A areia misturada a cimento pode ser reutilizada em edificações de até dois pavimentos, sugere Ruiz. Com a substância também é possível fabricar blocos e tubos para drenagem superficial de água da chuva. Na pavimentação da ruas, esse material arenoso substitui o solocimento, diz.

Ruiz explica que a prefeitura pretende apenas coordenar o processo de reaproveitamento de entulho, que ficaria sob a responsabilidade da Associação de Caçambeiros. A entidade faria a captação dos resíduos da construção civil e a comercialização do produto reciclado.

• Serviço

Quem precisar descartar entulho deve procurar a Semma pelo telefone (14) 3235-1135 ou a Associação de Caçambeiros (14) 3016-1404 para a indicação do local.

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Caçambeiros

Na avaliação do secretário municipal do Meio Ambiente, Carlos Barbieri, sem união dos caçambeiros e empresas de terraplenagem em uma associação fica inviável o funcionamento de programa de reciclagem dos dejetos gerados pela indústria da construção civil. Um dos interessados na criação da associação, Rui Carneiro, explica que o custo para criar e manter uma entidade inibe os empresários do setor.

Mas ele calcula que com quatro empresas já é possível iniciar a reciclagem do entulho, que teria um custo de cerca de R$ 200,00 por mês a ser rateado entre os associados.

Ele comenta que há pelo menos três anos algumas empresas do setor tentam se mobilizar, mas a proposta não evolui das conversas. “Quando você fala que tem que pôr dinheiro, a turma entra, mas acaba recuando. Esse ano tem que sair”, projeta.

Ele acrescenta que a associação seja formada por dez empresas do setor de transporte de entulho que se juntariam com quem trabalha com terraplanagem. Em média o valor de locação de uma caçamba é de cerca de R$ 40,00 durante três a quatro dias.

A Semma está cedendo um espaço ao lado do velório municipal (antiga floricultura) no Cemitério da Saudade sem custo até o início do ano que vem para o funcionamento da sede provisória da associação.

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