A vasta e rica história de Bauru e região, com suas nuances e fatos pitorescos, precisa de mais espaço para ser relatada aos visitantes dos dois museus de Bauru, o Histórico Municipal e o Ferroviário Regional. A constatação é aceita até mesmo pelo secretário municipal de Cultura José Augusto Ribeiro Vinagre e pelos profissionais que trabalham no manuseio e manutenção dos acervos.
Cidade privilegiada por personagens e fatos que marcaram a construção de sua história, Bauru tem dois museus que desempenharam, ao longo desses últimos anos, a tarefa de amealhar para seus arquivos documentos e objetos de rara preciosidade e significado. Ambos garantem a seus visitantes a imaginária viagem ao longo da linha do tempo.
Embora os profissionais que atuam nos museus operem a rotatividade dos seus acervos, o que permite aos usuários revisitar a história completa da cidade, a demanda por espaços mais amplos se faz necessária diante da quantidade de documentos e peças abrigados na chamada reserva técnica.
O secretário municipal de Cultura tem consciência da necessidade de novas áreas para as instituições. “É uma pena os acervos não terem mais espaço para exposição. São documentos públicos e peças que deixam de ser expostos e acabam perdendo a função social de disseminar as informações históricas da cidade”, diz Vinagre.
Sem verba para investimentos, o jeito é partir para soluções que não envolvam dinheiro. No caso do Museu Histórico Municipal, orfão de prédio próprio e hoje instalado num imóvel alugado pela prefeitura - o terceiro desde a sua fundação, em 1979 -, a Secretaria de Cultura articula conversações com a Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA) para a cessão de um dos prédios construídos às margens do pátio ferroviário da cidade.
“Sabemos que a atual sede do museu é inadequada. A solução, para desencadear a estrutura, é termos uma sede própria e definitiva”, prega Vinagre. A opinião é compartilhada pelo diretor de Museus e Memória da secretaria, Roberto Chinalha. “Eu sempre falo o seguinte: ‘me dêem quatro paredes e eu faço o museu’”.
Com uma média de visitação de 12 a 15 pessoas nos dias da semana, chegando a 20 nos sábados, o Museu Histórico Municipal de Bauru abriga um acervo de fotos antigas, algumas datadas da época da fundação do município. Nas suas estantes estão acomodados exemplares de jornais fundados na época da emancipação administrativa da cidade, como “O Bauru”. Há também telas assinadas por residentes que registravam através de seus pincéis o cotidiano do município.
Além da demanda por espaço, o Museu Histórico Municipal necessita de mais profissionais para reforçar o manejo e a preservação dos documentos e peças. Atualmente, a instituição conta com dois servidores fixos, um servente, um office boy e uma estagiária. O diretor do Departamento de Proteção ao Patrimônio Cultural, Henrique Perazzi de Aquino, reconhece a situação crítica.
“Não temos museólogos no quadro da prefeitura. É necessário que o Executivo envie ao Legislativo projeto de lei criando a função”, explica. Outro cargo inexistente na administração municipal, relevante para os museus, é o de arquivista. Aquino ressalta, porém, que os servidores lotados nas instituições históricas passam por treinamentos.
“Mantemos uma relação muito estreita com o Núcleo de Pesquisa e Documentação Histórica, da Universidade do Sagrado Coração. Além disso, os funcionários sempre estão participando de cursos e seminários relativos a área”, completa.
Consta ainda na lista de demanda dos museus a contratação de vigias para garantir a segurança dos prédios e, conseqüentemente, dos acervos. As deficiências, porém, não podem e não devem ser encaradas com negativismo. É preciso destacar que essas instituições zelam pelo que há de mais precioso numa comunidade: a sua história.