Geral

Museu Ferroviário guarda acervo para novo módulo

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

O Museu Regional Ferroviário de Bauru, cujo acervo é um dos mais ricos do Estado, aguarda, há mais de uma década, a conquista de um novo espaço para abrigar peças de grande porte resgatadas ao longo dos anos nos trechos das três ferrovias que cortaram a cidade: Companhia Paulista de Estradas de Ferro (CPEF), Estrada de Ferro Noroeste do Brasil (NOB) e Estrada de Ferro Sorocabana (EFS).

A falta de espaço para o abrigo de acervos, portanto, não é exclusividade do Museu Histórico Municipal. Segundo o presidente do Conselho Deliberativo do Museu Ferroviário, Darci Bueno, a princípio era esperada a liberação dos prédios que abrigavam a antiga estação e o armazém da Ferrovia Paulista S/A (Fepasa), localizados no início da rua Rio Branco, no Centro da cidade.

Mas a área já foi descartada. A expectativa é de que o local receba o Museu Histórico Municipal. O agente cultural Gilson Aude, servidor do museu, diz que as atenções agora se voltam para o pátio de Triagem Paulista, no Jardim Guadalajara.

O local ainda mantém em pé alguns armazéns e barracões antes utilizados pela ferrovia para limpeza e manutenção de seus trens de passageiros e de cargas. Se vingar, a área vai receber equipamentos do chamado material rodante histórico das três ferrovias.

São locomotivas, dentre as quais as elétricas fabricadas pela General Eletric (GE) nos Estados Unidos. São três unidades. A russa, recebeu esse apelido após a GE destinar um lote de locomotivas à Companhia Paulista, antes reservado à União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Mas a tensão da Guerra Fria, nos anos 50, impediu que os equipamentos fossem embarcados à Rússia.

As outras duas máquinas receberam os apelidos de V-8 e Vanderléia, essa última em alusão à cantora da Jovem Guarda que marcou época nos final dos anos 60. Também constam do acervo a maria-fumaça 278, os vagões de madeira fabricados nas oficinas da Noroeste do Brasil, carros de passageiros de aço carbono e inoxidável usados pela Paulista e ferramentas de manutenção de grande porte.

Além da falta de espaço para abrigar o acervo de porte pesado, o Museu Ferroviário Regional também sofre com o quadro enxuto de funcionários. A chefe do museu, Maristela Moreira Pandolfi, conta com apenas quatro servidores para tocar a instituição, que também carece de museólogo e até mesmo de servente para a limpeza do prédio.

Suas instalações já foram alvo de dois assaltos. O primeiro, em 1996, foi frustrado, mas os marginais quebraram o vidro jateado de uma janela com o logotipo da Companhia Paulista. No segundo, em 1999, o museu ficou sem uma filmadora. A instituição não dispõe de vigia para garantir a segurança do prédio e do acervo.

Comentários

Comentários