Tribuna do Leitor

Ser pai é ter a força de uma águia


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As águias quando passam por um período de suas vidas se retiram para as montanhas e lá elas arrancam suas penas com o próprio bico. Depois arrancam o bico com suas garras e, logo após, perdem cada unha de suas garras. Apesar de todo sofrimento, encontram forças para suportar a dor e voltar ao espaço ao qual pertenciam. A escolha para se retirar, passar pela dor para poder retornar é individual, mas o processo de transformação é natural, está além de sua vontade.

Assim acontece com os pais que perdem seus filhos, tendo que entregá-los a Deus, mesmo contra sua vontade. Passam uma dor jamais imaginada, pois pais não vivem para enterrar seus filhos, esperam, sim, que seus filhos os enterrem.

Assim é nossa vontade, mas por motivos do mistério de Deus muitos jovens e crianças partem deixando uma enorme saudade, a dor é profunda, parece que o mundo desaba num só momento sobre nossas cabeças, o dia já não é o mesmo, o sol já não tem o mesmo brilho e tudo é diferente. O que fazer? Chorar? Desesperar-se? Entregar-se a doenças e revoltas?

Se deseja chorar, chore, as lágrimas aliviam a alma. Entrou em desespero? Peça ajuda, ninguém passa por uma grande tempestade sem amigos e sem Deus. Ficou doente pela tristeza? Procure encontrar uma outra forma para manifestar sua dor.

Está revoltado? Desista, revolta não remove montanhas e nem trará aquele que você ama de volta. Parece difícil? Sim, é muito difícil, é preciso desejar viver, entender que a vida é dom divino de Deus.

O tempo para o reencontro é indeterminado, então é preciso ação para amenizar a perda. Como agir? Depende de cada um, de sua própria vontade, de suas convicções. Faça as coisas que você gosta e que seu filho ou filha gostava, dance, cante, vá pescar, desenhe, leia, cuide de um animal, saia com amigos, ajude os necessitados ou apenas descanse.

Porém, nunca se entregue, já pensou que seu(sua) filho(a) pode estar te olhando e perguntando:

- Pai, onde está sua fé? Onde estão os seus ensinamentos religiosos, filosóficos, onde está a coragem?

Pai, talvez você responda que não imaginava tamanha tragédia, a perda de um(a) filho(a), mas saiba que é na dor que realmente provamos quem somos e no que acreditamos.

Ser pai não é tarefa fácil, sonhamos o sonho de nossos filhos, planejamos o melhor para eles, vivemos em função deles e quando eles partem, segue com eles parte do sentido de nossas vidas. Precisamos nos lembrar dos que ficaram e merecem o mesmo amor e dedicação, não podemos abandoná-los, supervalorizar nossa dor pode tirar deles o direito de ser feliz, reflita sobre isto.

E se você já não tem mais filhos, por ter perdido mais de um ou ter perdido o filho único, lembre-se que em cada criança ou jovem que olhamos está a presença do próprio Deus e Nele a presença daquele que tanto amamos.

Pai, saiba seu(sua) filho(a) vive e neste dia deve estar te mandando um pequeno recado, deixe que seu coração o receba:

- Pai, eu te amo e quero que você seja feliz, sorria, eu sempre estarei com você. No sol que nasce, na brisa que passa, no pássaro que canta, enfim, estarei onde estiver a mão de Deus. Pai, não faça deste dia um dia triste, mas lembre-se dos momentos mais agradáveis que passamos juntos, das risadas, do carinho e de minha presença valiosa em sua vida, e tenha uma certeza: sempre tive muito orgulho de ser seu(sua) filho(a). Beijos de seu(sua) filho(a)...

Grupo de Pais “Jóias Devolvidas” - Luiz, Sandra e Solange: (14) 3203-3425 ou 9723-7241

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