Bairros

Mostra resgata parte da história

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 4 min

A Secretaria das Administrações Regionais (Sear) realiza a partir do próximo dia 19 a 1.ª Mostra Fotos e Fatos, uma exposição que pretende reunir e apresentar para a população pelo menos parte da história dos movimentos populares de Bauru.

De acordo com a assessora da Sear e organizadora do evento, Olga Marques, a exposição reúne fotos de moradores que mostram a força de reivindicação da população durante atividades dentro dos bairros e em vários locais. Outras registram atividades culturais.

São mais de 300 fotos datadas desde 1983, justamente quando o movimento popular na cidade ganhou força através da atuação da antiga Secretaria de Projetos Comunitários (Seprocom), comandada por Terezinha Cintra, hoje professora universitária aposentada radicada em Campinas.

Marques informa que a ex-secretária confirmou presença na abertura da mostra, ocasião em que também será exibido um vídeo que estava guardado na Secretaria de Cultura que registra o 2.º Encontro de Associações de Moradores de Bauru, realizado em 1986. “Este é um dos poucos registros feitos pelo município sobre esta época efervescente, quando a população se unia para reivindicar melhorais para a cidade”, diz a assessora da Sear. Segundo a organizadora da mostra, a idéia de montar a exposição surgiu durante os trabalhos de montagem do calendário da Sear. “Percebemos que quando precisávamos pesquisar algo sobre as associações não encontrávamos qualquer espécie de arquivo ou registro das atividades que foram feitas no passado”, conta Marques.

A assessora lembra que foram feitas buscas nos arquivos da antiga Casa da Cultura e na própria prefeitura, mas nada foi encontrado. A saída, então, foi recorrer a “arquivos particulares”. “A gente sabe que cada associação de morador tem seu arquivo, mas que geralmente fica em poder de pessoas que comandaram a entidade em determinada época. Mesmo assim, fomos atrás deste material”, revela.

Resistências

Foi nesse momento que os organizadores da exposição constataram que a distorção que atingiu boa parte das associações de moradores com o passar dos anos continua com resquícios até hoje: muitas delas acabaram virando uma espécie de feudo dos presidentes de plantão, que transformavam a entidade num instrumento de interesses políticos particulares e em moeda de troca com os governantes.

Marques conta que encontrou muitas “resistências” no trabalho de garimpagem deste material em poder das associações. Sua estimativa é que cerca de 20% das entidades ou ex-presidentes visitados se recusaram a emprestar o material em seu poder. “Muitos me disseram que não emprestariam porque temiam um ‘desvirtuamento’ na utilização dos arquivos, entre outros argumentos”, conta. “Por isso, acho que todo material deste tipo deve ser sempre da associação, e nunca particular (do presidente)”, completa.

Além das resistências intransigentes, muitas pessoas disseram que até emprestariam as fotos e documentos, mas não liberariam o material para a exposição. Foi quando a Sear decidiu digitalizar todo o material recolhido para montar um acervo histórico próprio que ficará à disposição de todos na prefeitura para futuras pesquisas. “Isso é história e não pode ter tratamento político”, defende.

Este material (físico e digitalizado) formará o acervo permanente da prefeitura que deverá ficar disponível a todo cidadão para pesquisa e consulta. Além disso, este material também irá alimentar exposições itinerantes que percorrerão os diversos bairros da cidade, adianta a assessora.

“A mostra tem justamente o objetivo de resgatar o trabalho que já foi feito e mostrar para as associações de hoje que elas têm o compromisso de resgatar e preservar a história”, diz Marques, enquanto observa fotos de moradores do Jardim América discutindo o problema da região onde atualmente está instalada a praça Palestina. “Hoje as pessoas que passam por lá não têm idéia de como era o local, tomado por uma enorme erosão, e que foi recuperado graças à mobilização popular”, afirma Marques.

• Serviço

A “1.ª Mostra Fatos e Fotos - A História das Associações de Moradores” será realizada de 19 de agosto a 19 de setembro, no Museu Histórico Municipal, localizado na rua Antônio Alves, 13-31.

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Interação

Além de resgatar a história dos movimentos populares na cidade, a Secretaria de Administrações Regionais (Sear) também espera que a 1.ª Mostra Fotos e Fatos seja a oportunidade de se promover um “entrosamento” entre as diversas associações de moradores.

A assessora da Sear, Olga Marques, acredita que o evento poderá se transformar numa espécie de fórum para troca de experiência entre as entidades. “Enquanto notamos que muitas associações estão desmobilizadas, outras estão a pleno vapor, com atividades educacionais, oficinas de artesanato e até projetos de geração de renda”, diz.

A Sear acredita que o contato entre as entidades - as ativas e as “adormecidas” - pode ser um incentivo para a retomada do ânimo que marcou o início das história da maioria delas. “Mas isso precisa vir com um diferencial de qualidade e sem interesses políticos”, defende.

Neste sentido, Marques avalia como “fundamental” a presença da ex-titular da Secretaria de Projetos Comunitários (Seprocom), Terezinha Cintra, que já teria confirmado sua participação na abertura da mostra. “Ela é a pessoa mais apropriada para falar de organização comunitária e incentivar novas lutas”, avalia.

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