Da Bíblia e Alcorão a “Alice no País das Maravilhas”; de “Dom Casmurro” e “Os Lusíadas”, inteiros, aos poemas de William Blake em seu idioma original; de imagens dos originais de “Don Quijote de La Mancha” aos bioindicadores vegetais de poluição atmosférica. Todo esse conteúdo literário, bibliográfico e científico é encontrado facilmente na Internet, comodamente reunido em bibliotecas virtuais de todos os gêneros.
Verdadeiros acervos digitais da humanidade, os portais e bibliotecas virtuais reúnem obras completas à distância de um clique e um download. A maioria dos textos é de domínio público, ou seja, obras elaboradas por autores que morreram há mais de 70 anos ou de escritores e pesquisadores que ofereceram-nas para tal fim, afinal a Internet é um meio livre mas os direitos autorais devem ser respeitados, segundo a legislação brasileira.
Em muitas situações, as bibliotecas virtuais se tornam importantes ferramentas para os que necessitam pesquisar temas específicos e que teriam dificuldade em encontrar a bibliografia correta até mesmo em acervos de bibliotecas e universidades. É o caso do coordenador de programação Lauro Henrique de Paiva Teixeira, que cursa pós-graduação em comunicação e utiliza os acervos para atualizar suas pesquisas.
“Costumo procurar mais material referente à tecnologia, como artigos e pesquisas. Há muitas coisas em inglês, mas também é fácil encontrar obras em português, italiano e francês”, observa. Além de pesquisar em ferramentas e sites de busca, Teixeira ainda utiliza outros meios para encontrar textos de seu interesse, como os programas de compartilhamento de arquivos.
“Baixo muita coisa pelo e Mule (www.emule-project.net). Ali, você tem de tudo e à medida em que disponibiliza arquivos no seu computador e as pessoas fazem downloads, você obtém uma pontuação maior e tem acesso a mais conteúdo”, comenta.
Navegando pela Internet, Teixeira já conseguiu fazer o download de coleções completas de escritores brasileiros, como Machado de Assis. “Estava disponível, assim como muitas outras coisas. Baixei mesmo para ter no computador, até sem a intenção de ler. Mas quando eu quiser, estará lá”, ressalta.
Adaptação à tecnologia
Mesmo utilizando-se constantemente de bibliotecas e acervos virtuais de obras e textos, Teixeira não possui o costume de imprimir seus downloads. “A maioria das pessoas que conheço acaba imprimindo, mas eu leio na tela do computador mesmo. Só imprimo quando preciso levar os textos para algum lugar. Meu costume é esse por conta dos hiperlinks que você pode fazer. Se estou lendo e me deparo com um conceito que não conheço, já posso pesquisar e encontrá-lo, não preciso anotar para pesquisar depois e perder esse tempo”, relata.
A facilidade de leitura e pesquisa no próprio computador também foram fatores para que o advogado Luiz Gustavo Figueiredo se acostumasse a ler textos na tela do computador. “Estou fazendo pós-graduação e a Internet me ajuda a encontrar muito material para complementar as aulas. Para não imprimir tudo o que acho, leio tudo na tela, seleciono, completo alguns conceitos e imprimo só esse ‘resumão’. Para facilitar, comprei até uma daquelas telas protetoras, para não cansar a vista”, declara.
Por outro lado, Figueiredo é um visitante freqüente em diversos sites de downloads de obras de literatura e até mesmo de scripts de cinema, como o www.allmoviescripts.com e o www.script-o-rama.com. Orgulhoso, ele estima que possua mais livros em seu computador e em CDs do que seus pais, em sua biblioteca. “E olha que meu pai é professor!”, brinca. “Tenho muita coisa, mas só baixo o que é de domínio público. Sou meio obcecado por ‘Ulisses’ do James Joyce e ‘Dom Quixote’, de Miguel de Cervantes. Tenho as versões originais e duas traduções de cada um”, relata.
No caso dos livros, ele diz não economizar para imprimir, especialmente se consegue alguma raridade. “Muitas vezes, fica até mais barato imprimir o livro todo e mandar encadernar do que comprar em livraria. Faço isso principalmente com obras em inglês e espanhol, já que livros importados são muito caros”, finaliza.