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Academias terão selo de qualidade

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 3 min

Um convênio entre a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Fundação Getulio Vargas (FGV), Conselho Federal de Educação Física (Confef) e Colégio Brasileiro de Atividade Física, Saúde e Esporte (Cobrase) deverá lançar, nos próximos meses, um selo de certificação para estabelecimentos voltados à prática de atividades físicas.

Trata-se do Padrão Nacional de Qualidade em Atividade Física (Pnaf). De acordo com o coordenador de Esporte e Fitness da FGV, José Antônio Barros Alves, o objetivo do projeto é incentivar melhorias na qualidade dos serviços prestados por esses estabelecimentos, de modo que o usuário tenha total segurança ao realizar seus exercícios físicos.

“Esse projeto é bastante antigo, a idéia era qualificar a atividade física no Brasil, mas isso ficou parado por alguns anos. Em 1999, conseguimos aprovar uma lei que regulamentou a atividade profissional. Então, começamos a pensar nas academias. Hoje, temos cerca de 20 mil academias no País. Poderíamos tentar a aprovação de uma lei, mas optou-se pela estratégia de qualificar com um selo, que é um processo mais democrático”, defende.

Segundo o gerente-geral de certificação da ABNT e presidente do conselho gestor do Pnaf, Antonio Carlos Barros de Oliveira, a intenção é definir um conjunto de critérios que o estabelecimento terá que atender para conseguir a certificação. “Atividade física hoje não é só lazer, mas saúde. Queremos criar uma referência que permita ao usuário identificar que aquele estabelecimento é seguro à prática esportiva”, reforça.

Os coordenadores do projeto destacam que um conselho gestor acaba de ser criado e que ainda serão necessários vários estudos para a definição desses critérios. “Cada uma das entidades envolvidas vai desenvolver projetos em sua área de atuação. Esses projetos serão submetidos ao conselho, que irá discutir, avaliar e aprovar. Inclusive, a idéia é submeter a proposta à consulta pública antes da aprovação”, afirma Oliveira.

Eles observam que a avaliação não levará em conta a sofisticação dos equipamentos, mas sim o bem-estar de seus usuários. “Não interessa se é uma esteira computadorizada ou mecânica, desde que ambas tenham a devida manutenção e qualidade”, comenta o representante da ABNT.

“A atividade física feita com segurança e orientação faz muito bem à saúde. Mas sem segurança e sem orientação, é tão perigosa quando a automedicação. Um profissional não habilitado ou um equipamento desregulado podem causar problemas de saúde tão ou mais graves que o sedentarismo”, acrescenta Alves.

O Pnaf levará em conta três aspectos dos estabelecimentos: condição dos equipamentos e instalações (estrutura física), qualificação dos profissionais e qualidade dos serviços oferecidos. “O profissional deverá ser submetido a uma prova para avaliar seu nível de conhecimento. Na parte estrutural, haverá um check-list para verificar, por exemplo, se a iluminação é suficiente, se há refrigeração suficiente, se o piso não é escorregadio”, descreve.

Oliveira lembra que o selo será voltado não só às academias, mas também aos clubes, agremiações esportivas, escolas, condomínios e quaisquer outros locais onde haja equipamentos e profissionais ligados à atividade física. “E será uma certificação voluntária. Interessados em obter o selo deverão solicitar avaliação junto a uma das entidades envolvidas”, esclarece.

“O Pnaf deverá ser um fator de promoção para as academias. A idéia não é reprimir as ruins, mas promover as boas. É identificar as que têm qualidade e dizer que têm qualidade. Isso deverá propiciar ao consumidor uma referência mercadológica na hora de escolher onde fazer sua atividade física”, acrescenta Alves.

Segundo os coordenadores, o projeto ainda está em sua fase inicial e o selo, propriamente, só deverá estar disponível em alguns meses, o que deverá ser amplamente divulgado pelas entidades envolvidas.

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