Se tudo correr de acordo com a vontade do governo do Estado e dos prefeitos de Presidente Alves e Avaí, a região ganhará mais quatro penitenciárias, que irão se somar às 20 já existentes.
O projeto para a construção desses novos presídios está em sua fase inicial. Tanto a prefeita de Presidente Alves, Sandra Sclauzer (PT), quanto o prefeito de Avaí, Paulo Sérgio Rodrigues (PSDB), confirmaram ontem a disposição desses municípios em abrigar essas unidades prisionais. Seriam duas em cada cidade.
A concentração de penitenciárias na região só não será maior, por enquanto, porque a Prefeitura de Uru desistiu da idéia após um consulta informal junto à população. Se a proposta tivesse avançado, seriam mais dois presídios. Nesse caso, a cidade teria mais gente dentro das penitenciárias do que fora delas.
Juntas, as duas unidades teriam capacidade para receber 1.500 presos. Uru tem atualmente cerca de 1.400 moradores. A mesma peculiaridade ocorre em Balbinos. Com cerca de 1.300 habitantes, a cidade está prestes a receber 1.500 presos. As duas penitenciárias compactas que estão sendo construídas no município devem ficar prontas no dia 31 deste mês, segundo informou a Secretaria de Estado da Administração Penitenciária (SAP).
A prefeita Sandra Sclauzer, de Presidente Alves, disse que a iniciativa conta com apoio maciço dos moradores. Segundo ela, em julho, antes de iniciar as negociações com o governo do Estado para a construção dos presídios na cidade, foi feita uma consulta popular sobre o assunto e a aprovação teria sido de aproximadamente 90%.
“Até eu fiquei surpresa com o resultado”, disse a prefeita. Segundo ela, antes da consulta os moradores teriam sido informados de todas as vantagens e desvantagens de se ter um presídio na cidade. Sandra contou que foram usadas como exemplo as realidades de Pirajuí e Reginópolis, que são cidades vizinhas e possuem penitenciárias.
Após a aprovação popular, um engenheiro da SAP já esteve no município para fazer uma avaliação das áreas mais apropriadas para receber os presídios. Foram indicadas duas áreas, mas o proprietário de uma delas não aceitou negociar o terreno. Resta agora a segunda opção. No caso de nova resposta negativa, a alternativa seria partir para a desapropriação, que seria feita pelo governo do Estado. “Hoje, a prefeitura não tem dinheiro para desapropriar nenhuma área”, justificou a prefeita. Ela revelou que as áreas ficam distantes cerca de dez quilômetros da cidade.
Na avaliação de Sandra, a construção das penitenciárias traria mais emprego para o município, que possui cerca de 4,2 mil moradores. Além disso, tornaria possível a transferência dos 30 trabalhadores de Presidente Alves que estão empregados em penitenciárias da região.
A abertura de novas vagas de emprego foi a principal vantagem apontada também pelo prefeito de Avaí, Paulo Sérgio Rodrigues, para receber os presídios.
“Não temos emprego em Avaí. Acredito que a construção das penitenciárias vai ajudar a população”. Segundo ele, durante as obras, devem ser empregadas cerca de 400 pessoas. “Depois de concluída, se empregar uma média de 50 pessoas já está bom”, adianta o prefeito. Rodrigues conta que todos os dias cerca de 12 moradores saem da cidade para trabalhar em outros presídios.
De acordo com ele, ainda esta semana a cidade deverá receber a visita do engenheiro da SAP para verificar quais as áreas poderiam ser doadas ou desapropriadas para a obra. Avaí tem aproximadamente 4,6 mil habitantes.
Em Uru, a possibilidade de geração de empregos não foi suficiente para convencer a população de que a presença de uma penitenciária seria vantajoso para a cidade.
O prefeito João Luiz Veronesi (PSDB) disse que desistiu da idéia quando percebeu que os moradores não estavam gostando nada do que estavam ouvindo. “Como o município é pequeno, nós fizemos uma pesquisa informal, mas deu para sentir que a população era contra. Então, achamos melhor não ir adiante”, comentou o prefeito. “Vamos pensar em outras formas de gerar emprego e renda para o município”, disse.