Tribuna do Leitor

Assassinar para renovar


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Os olhos da nação tupiniquim estão encharcados de colírio. É necessário rever a dosagem e iniciar um novo tratamento. A imprensa, que deveria levar a sociedade a uma reflexão, hoje embaraça a todos com seu processo de regurgitação de informações. Ao invés de explicar as grandes convulsões e mudanças na política brasileira, ela bitola e cansa a população com as mesmas abordagens.

Quem já não se cansou de ouvir falar em mensalão, caixa 2, corrupção e tantos outros termos que fazem parte do dicionário político nacional? A imprensa brasileira, de uma forma geral, está em declínio no que diz respeito em informar para formar. Ela levanta pseudobandeiras sem se preocupar com os seus leitores. É um jogo de sombras, onde quem tinha a luz para iluminar, hoje se rebaixa a uma ilusão de ótica, que dá sensação de imparcialidade, objetividade e tantos outros conceitos necessários para o jornalismo.

De acordo com Rui Barbosa, “a morte não extingue, transforma; não aniquila, renova; não divorcia, aproxima”, logo se chega a conclusão de que é preciso “assassinar” a grande imprensa nacional. Não há necessidade de se veicular toneladas de informações não reflexivas, mas é preciso buscar informações colhidas na veracidade, cultivadas com a imparcialidade e desenvolvidas com o cunho de modificar beneficamente o cenário em que vivemos.

O grande pecado dos meios de comunicação foi reduzir a informação a um jogo de interesses. A grande imprensa deixou de ser a vista da nação, contrabandeou-se para o lado mais rentável e fincou-se como empresa de massificação de informações. E quem saiu perdendo? Será necessário responder?

É preciso que o jornalista retome o papel de guardião da voz dos oprimidos, revele a verdade nua e crua de maneira imparcial e faça com que a informação não se transforme em mera “fofoca”, porque informar é fundamentar-se na verdade.

A grande imprensa necessita “morrer” para poder ressurgir de cara limpa. Os monopólios da informação necessitam dar uma reviravolta na maneira como “fazem” jornalismo. Enfim, o jornalismo deve pregar o “informar para formar” e banir o “informar para manipular”.

“A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que ameaça” - Rui Barbosa. Jornalistas: não deixem que a frase de Rui Barbosa caia no esquecimento.

Juliano Schiavo Sussi - estudante de jornalismo

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