A Secretaria de Estado da Educação lança hoje o curso de magistério intercultural superior indígena. O investimento será de R$ 7,2 milhões e beneficiará a reserva de Araribá, em Avaí (39 quilômetros de Bauru).
A cerimônia será no Teatro Fernando Azevedo, em São Paulo, às 10h, e contará com a presença do secretário Gabriel Chalita, de representantes indígenas e de vários educadores. Alunos da aldeia Icatu, de Birigui, pertencentes à etnia kaingang, apresentarão músicas e danças típicas.
O curso é inédito na região Sudeste e o terceiro no País. Ele será coordenado pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Segundo informou a assessoria de imprensa do governo do Estado, o curso é voltado para educadores das cinco etnias que compõem a população indígena do Estado: guarani, tupi-guarani, kaingang, terena e krenak.
O objetivo é formar 81 professores indígenas com licenciatura plena em pedagogia, preparados para dar aulas na Educação Infantil e no Ensino Fundamental das 26 escolas distribuídas pelas 28 aldeias do Estado. Essas comunidades estão em 14 municípios paulistas. Além de Avaí, serão beneficiadas Baraúna, Arco-Íris, Bertioga, Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Ubatuba, Itariri, Iguape, Cananéia, Pariquera-Açu, Sete Barras e São Paulo. Atualmente, essas aldeias possuem 1.026 alunos. A população total estimada é de 4 mil índios, aproximadamente.
“A formação superior de professores indígenas possibilita a esses educadores uma visão mais abrangente da importância do processo de interação entre culturas e propicia mecanismos de aprimoramento didático, crescimento intelectual e pessoal”, avalia o secretário de Educação, Gabriel Chalita.
Ainda segundo ele, o Programa de Educação Indígena simboliza uma oportunidade rara de conceder aos representantes das mais variadas tribos uma formação capaz de contribuir para a transmissão de seus valores e de sua cultura nas salas de aula.
O curso vai apresentar algumas particularidades, como a sala dos velhos – na qual um idoso de cada uma das etnias será convidado para falar sobre as tradições em uma das aulas. Terá também legislação da educação indígena e língua indígena. Serão agendadas visitas a museus, sessões de filmes e atividades extras, como jogos de futebol.
De acordo com a assessoria, o curso terá duração de 36 meses e será dividido em oito módulos. Serão 3.470 horas de aulas, divididas em aulas presenciais e atividades nas aldeias.
Em cada um dos oito módulos, os alunos passarão uma semana por mês na Faculdade de Educação da USP, em São Paulo. Como o curso é seqüencial e dinâmico, em alguns módulos os coordenadores da USP irão às aldeias para dar andamento às atividades. Além de ter todas as despesas pagas, os alunos receberão ajuda de custo.