1 - “Ninguém neste País tem mais autoridade moral e ética do que eu para fazer o que precisa ser feito neste País.” Ética e honestidade não são privilégios de ninguém; são deveres de qualquer cidadão honrado. Bater no peito vangloriando-se dessas virtudes é atitude, no mínimo, suspeita. A humildade na conduta revela o caráter e a dignidade de cada pessoa. Anunciá-las como se faz propaganda para vender sabonetes é manifestação hipócrita e ridícula. A declaração soa como se cada cidadão é de comportamento social e profissional duvidosos. Menos o declarante.
2 - 0 rosto normalmente reflete as emoções do momento: tristeza, dor, alegria, angustia, preocupação; é o retrato silencioso da emotividade, a imagem do sentimento quase vivificado; as pessoas equilibradas, inteligentes e sensíveis, não saem por aí dizendo “olhem para a minha cara para ver se estou preocupado...” ou “ estou com raiva...” ou “estou amando...” Barbas não escondem emoções. Os olhos, as atitudes e palavras as revelam.
3 - “Estão querendo mexer na minha vida privada. Isso é baixaria, um golpe baixo, um desrespeito.” Concordo com a declaração na sua dimensão humanística; considero-a para quem se faz respeitar e quem, principalmente, nunca atirou pedras nas vidraças dos outros. Abomino revanchismos. Ah! O velho ditado.. “Não faças ao outro o que não queres que te façam...”
4 - “Neste País pode ter igual, mas não tem mulher nem homem que tenha a coragem de me dar lição de moral ou honestidade.” Bem, aqui o caldo engrossa. O “pode ter” é tempo condicional e gera dúvidas para conclusões. É como dizer: Acho que é... Acho que roubou... Pode ser que a esperança... Pode ser que aconteça... Acho que vai chover... Tenho a certeza, não acho, de que ninguém, definitivamente ninguém, tem o direito de achar que os 180 milhões de habitantes deste maravilhoso Brasil podem ser ameaçados como prováveis desonestos ou imorais. (Nesse “maravilhoso”, excluir a maioria dos políticos)
5 - “Se eu for, com ódio ou sem ódio, eles vão ter que me engolir outra vez.” Pronunciamento infeliz de um homem que certamente está decepcionando os mais de 50 milhões de eleitores que o aprovaram para a presidência. Declaração pífia, revelando a sua insegurança e incompetência política diante da avassaladora corrupção praticada por políticos do seu partido e de outros; dos milhões de reais suspeitos alimentando apetites famélicos, circulando até em cuecas, desmascarando políticos poltrões vendendo-se por 30 moedas chamadas de mensalões. Declaração grosseira, mesquinha e imprópria manifestada em tom agressivo nestes dias em que o País precisa, ainda mais, da moderação e a arte da diplomacia do seu presidente.
6 - “Não vamos acobertar ninguém, seja lá quem estiver envolvido. Cortaremos na própria carne, se necessário.” Uma declaração positiva sobre a crise; porém não justifica a sua omissão; a sua permanente ausência no picadeiro desse circo; principalmente manifestando-se sobre o seu já desarticulado Partido dos Trabalhadores; tentando, pelo menos, segurar a sua estrela, agora declinante; ou contornar a crise explodindo a granada de cobranças, acelerando e inspirando as comissões das CPIs; exigindo punições imediatas aos culpados confessos e aos já reconhecidos; fazendo declarações mais impessoais e menos políticas, fertilizando, intencionalmente, a demagogia e lágrimas voltadas para as próximas eleições.
Lembro-me: desde os tempos dos meus avós, diziam que o homem não deve chorar. Errado, no meu ponto de vista. Chorar faz bem. Alivia. Desacelera o coração. Porém, julgo que um homem que não pode e nunca deve chorar publicamente é o presidente de uma Nação, que precisa, com todo o pundonor, estar acima de atitudes teatrais dramáticas dignas de um canastrão.
Ser presidente de um país abençoado por Deus e castigado pelos seus políticos é tarefa que exige o saber, a diplomacia, a nobreza, a mais elevada harmonia e prudência para levar este País (leia-se Brasil) ao magnífico destino a que foi predestinado. Já é hora de fechar o circo. É preciso acabar com a quadrilha dos falsos palhaços; dos políticos desonrados, vigaristas, nesse imenso circulo de corrupção. Não deixar vestígios. Varrer até a palha de arroz do picadeiro.
Munir Zalaf - RG 2.726.959