Para os médicos contrários à carteira de descontos ofertada pelos planos de assistência familiar funerária, ela representa concorrência desleal. Em contrapartida, as empresas a defendem apontando os benefícios prestados aos menos favorecidos.
“Nosso trabalho ajuda até o município. O cunho social é muito forte. Não considero (desonesto) porque não é o mesmo público. Nossas atividades são diferentes. Oferecemos (convênios) também com o comércio, por exemplo”, diz o sócio da Organização Terra Branca, Rogério Costa Colnaghi. No entanto, anteriormente, quando os planos de saúde trabalhavam também com cartão-desconto, tiveram de suspender a comercialização por exigência da Agência Nacional de Saúde (ANS).
De acordo com o representante de um plano de saúde, que preferiu ter o nome preservado, a prestação desse serviço foi proibida pela agência - cuja abrangência não se estende aos fundos mútuos - por levantar dúvida quanto ao direito dos pacientes. “Esses planos (de fundo mútuo) não assumem nenhuma responsabilidade, não tem comprometimento (com o atendimento do paciente). Tratam a saúde como se fosse algo que se compra em supermercado”, comenta.
Embora o proprietário do Serviço de Luto São Vicente, Aristides Espanholo, adote o exemplo de uma lanchonete para explicar os descontos, ele classifica o trabalho prestado pelas empresas funerárias como maravilhoso por suprir as necessidades dos mais carentes. “Às vezes, dá a impressão que o Conselho Regional de Medicina (CRM) vê a saúde só para a elite”, reitera Alessandro Rodrigues, gerente da Funerária Reunidas.
Ao contestar a informação, o conselheiro do CRM Carlos Alberto Monti Gobbo ressalta que os fundos mútuos não oferecem benefício algum, apenas fazem a intermediação com o profissional conveniado. Repete mais uma vez que eles não dão garantia da relação médico-paciente.
Também enfatiza que já estão disponíveis no mercado planos de saúde com preços acessíveis, cujos contratos são regulados pela ANS.