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Dia do Vizinho completa 25 anos de comemoração

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 2 min

“Um dia desses meu liqüidificador deu pane e fui até a a casa da Luciana pedir um”, conta a dona de casa Janete Alves Rodrigues. Emprestar eletrodomésticos, dar uma xícara de açúcar ou conversas descompromissadas no portão são apenas alguns dos exemplos da relação entre bons vizinhos. Para homenageá-los e para promover novas amizades, hoje comemora-se o Dia do Vizinho. Apesar da correria típica da vida moderna, há quem não abra mão da convivência com o morador mais próximo.

“Se não tivesse vizinho? Pelo amor de Deus! Acho muito importante ter um. E não só na hora do apuro, é bom ter alguém para conversar”, lembra Luciana Oliveira Campos, vizinha de Janete há dois anos. A data exclusiva foi criada pela poeta Cora Coralina, há 25 anos, na cidade de Goiás (GO). Até hoje, a Associação Casa de Cora Coralina, no mesmo município, mantém a tradição com dois dias de festas.

Nize Brêtas, nora da poeta, que mora em Bauru, conta que a idéia surgiu ao acaso e devido ao apreço de Coralina pelos vizinhos. Após insistirem em festejar o seu aniversário - também comemorado hoje -, ela teria pedido que, no lugar de uma festa para ela, festejassem o Dia do Vizinho. “A intenção (ao criar a data) era para os vizinhos se confraternizarem. Na verdade, é uma maneira de chamar a atenção das pessoas para isso”, explica Brêtas.

A dona de casa Rosângela de Paula não precisa deste dia para se lembrar dos vizinhos. Moradora há 30 anos do Parque União, ela é considerada uma das “faz-tudo” da rua onde vive. “Minha vizinha está doente (no hospital) e abro e fecho todo o dia a casa dela”, conta. Apesar das ajudas serem comuns entre ela e os demais moradores, para Rosângela, o principal é a amizade. “Gosto de ter amizades com as pessoas. Sou do tempo em que vizinha gosta de ajudar o outro”, brinca.

Brêtas também é assim. Além da proximidade com a idealizadora da data, Nize não se esquece de seus companheiros de rua, mas lamenta o distanciamento dos laços. “Hoje as pessoas são mais ocupadas. Desde criança já começam a correr. Isso é triste porque as pessoas perderam a oportunidade de, simplesmente, bater um papo”, considera.

As vizinhas Luciana e Janete procuram manter a oportunidade em dia. Elas moram em um prédio, e em andares diferentes, mas isso não é desculpa para deixar as conversas de lado. “Nos falamos todos os dias e toda hora. Conversamos pelo interfone e até pela sacada. Além de vizinhas, somos boas amigas”, diz Luciana Campos.

Há poucos anos, Brêtas e outros amigos organizavam festas na rua para comemorar o dia. Os 82 anos de idade, porém, impediram os festejos neste ano, mas adianta: “Amanhã (hoje) saio de casa nem que seja para dar um abraço”.

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