Bairros

‘É contramão, dona Maria!’

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 1 min

Personagens cada dia mais numerosos no já agitado trânsito de Bauru, os catadores de papel têm ocupado nos últimos tempos importantes espaços em lugares antes reservados apenas a automóveis.

E com “carrinhos” cada vez maiores - alguns chegam a ter largura e comprimento de um carro popular. Como a maior parte dos catadores mora na periferia e trabalha na região central, a adoção de grandes carrinhos é indispensável para evitar os longos deslocamentos.

O carrinho da catadora Clarice da Silva Ferreira, 62 anos, nem é tão largo, mas possui eixo, rodas e pneus similares aos de um automóvel. A “carroceria” é montada numa carcaça de geladeira. “Para mim não é pesado. Já estou acostumada”, diz Ferreira, há quatro anos no ramo.

Ela jura que respeita o trânsito, mas deixa escapar que todos os dias transita pela rua 13 de Maio na contramão para evitar um percurso maior entre sua casa, na Bela Vista, e o ponto onde estaciona o “veículo”. “Alguns motoristas xingam, mas outros só avisam: ‘Dona Maria, é contramão!’”, conta.

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