Tribuna do Leitor

Não em meu nome!


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Quando começaram as primeiras denúncias em relação à corrupção instalada no governo Lula, de inicio tive aquela sensação de incredibilidade. Isso não está acontecendo. Depois, as denúncias foram se avolumando, tomando contornos assustadoramente verdadeiros e hoje são irrefutáveis.

Lula fez vários discursos afirmando que iria apurar doesse a quem doesse, que se necessário cortaria na própria carne, etc. Isso tudo, negando veementemente conhecimento sobre a podridão instalada. Ouvi um jurista dizendo que se não soubesse, o presidente, tinha obrigação de saber, e portanto, responde como quem soubesse. Mas ele não apenas sabia, como contribui de forma ferrenha e decisiva para tudo isso.

Em um dos seus “improvisos”, afirmou que o PT devia um pedido de desculpas à sociedade. Logo após, a executiva nacional do PT divulgou nota oficial pedindo desculpas.

Podem parar! Desculpas não em meu nome. Sou filiada ao PT há mais de 20 anos e nunca fiz parte desta quadrilha que tomou de assalto todas as instâncias partidárias. Portanto, não tenho que pedir desculpas, ao contrário. Assim como milhares de filiados, assisti, não de forma passiva, o massacre imposto pelos atuais cardeais do PT para dominarem e controlarem toda a máquina partidária. Denunciamos interna e publicamente, e tentamos de todas as formas combater o que hoje está posto.

Foram feitas no País todo filiações em massa, alteraram os critérios de cotização e esvaziaram todas as instâncias. O atual diretório de Bauru é um exemplo claro do que ocorreu em nível estadual e federal.

Integrantes do atual grupo que comanda o PT local foram, inclusive, expulsos por diretórios antigos em virtude de condutas que contrariam os estatutos, a moral, a ética e a lei. Os resultados destas expulsões foram a recondução dos mesmos a seus postos, intervenção no diretório e a aprovação de mais de 400 filiações realizadas em um único dia.

Desde a última eleição, ocorrida há quase três anos, o diretório não se reuniu uma única vez, a executiva se reúne atendendo a interesses pessoais e momentâneos, sem que aqueles que são contrários ao posicionamento da “direção” sejam sequer convocados para reuniões.

Vimos os cardeais do PT irem à imprensa para rebater posicionamentos contrários ao da direção com frases como “Precisamos profissionalizar o PT”, “O PT é um partido plural, não pode ser visto mais como algo monolítico”, “Esses dinossauros não perceberam que o muro de Berlim caiu”, e por aí. A história na imprensa aparecia de forma que a direção agia de forma moderna e correta, enquanto os demais não passavam de um amontoado de radicalóides, sectários e que estavam reclamando apenas por estarem “perdendo” o partido.

Lutamos até o fim contra a aliança que foi composta para eleger Lula. Quando Lula fez a chantagem “ou sou candidato com um amplo arco de alianças ou não sou”, a bandalheira já estava instalada. Dinheiro de origem suspeita já estava nas contas, em campanhas eleitorais, inclusive nas campanhas eleitorais internas, que garantiram o churrasco para os novos filiados que nem sabiam o que estavam votando.

Então, não peçam desculpas em meu nome. Assumam seus erros, cumpram suas penas. Pois ao contrário do pensamento moderno, profissional e arejado dos cardeais, não acredito que corrupção seja algo compulsório. Não esperem que os filiados sérios, honestos e que sempre combateram essas práticas saiam em defesa desta quadrilha, mesmo porque, uma grande parte destes militantes se sentiram tão alijados, tão enojados que foram se afastando de todas as batalhas internas, foram se desfiliando, mudando de partidos, foram sendo expulsos, ou simplesmente foram para a casa...

A cúpula queria destruir o PT como experiência de resistência e luta da classe. Cumpriu esse papel com vigor. Dificilmente achará quem os defenda. Lula e seus asseclas não foram traídos. Traíram primeiramente os militantes e filiados que construíram o PT, traíram a expectativa de milhares de eleitores que mesmo distantes das discussões internas, acreditavam na possibilidade de mudança. A saída agora, para eles, é a saída. Saiam da vida pública, saiam do PT.

Tatiana Calmon - RG 12.172.323

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