A aprovação de um projeto de lei que proíbe o funcionamento de grandes lojas aos domingos e feriados despertou forte polêmica entre empresários, pequenos comerciantes e consumidores. O presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Sussumu Honda, alega que a proposta é inconstitucional, pois a legislação federal autoriza o trabalho aos domingos (desde que respeitadas as normas trabalhistas), cabendo aos municípios regulamentar.
“O setor supermercadista emprega 210 mil pessoas no Estado. Para abrir aos domingos e feriados, as empresas têm um sistema de rodízio, que exige um número maior de funcionários. Uma lei dessas eliminaria pelo menos 30 mil empregos diretos, pelos nossos cálculos”, afirma.
Indagado sobre o fechamento de pequenos estabelecimentos após a instalação de uma grande loja, Honda contesta. “Não é porque há a grande que a pequena fecha. É porque falta gestão de competência. Essas empresas têm que achar meios de se sobressair”, observa.
Gerente comercial de uma rede de supermercados de Bauru, Paulo Sanches argumenta que o que o consumidor busca em uma grande loja é diferente do que ele procura no pequeno varejo. “Você não vai sair da sua casa para um supermercado distante para comprar um refrigerante. Você vai ao varejinho. No entanto, você não vai ao varejinho fazer a compra do mês, você vai para as compras de emergência”, compara.
Na opinião de Sanches, antes de restringir o funcionamento dos grandes, os deputados deveriam buscar meios de combater a informalidade e aumentar a arrecadação.
Pequenos comerciantes que sobrevivem cercados pelos grandes admitem que o fechamento das redes aos domingos e feriados aumentaria seu movimento, mas hesitam em mostrar-se totalmente favoráveis à medida. “Acho falta de respeito um supermercado funcionar 24h, porque tira toda a possibilidade do pequeno sobreviver. Só vem aqui quem já é freguês mesmo”, diz o comerciante Wilson Canela.
Nilson Kisaburo Tobaro tem opinião semelhante. “Lógico que se a lei for sancionada vai aumentar o movimento para a gente. Mas também acho que o mercado tem espaço para todo mundo”, afirma.