Três CPIs e mais comissões de ética inquirindo as mesmas pessoas - Delúbio, Marcos Valério, Jefferson, José Dirceu etc., fazendo praticamente as mesmas perguntas e obtendo, quase sempre, as mesmas respostas, há dias que não vêm acrescentando quase nada e muitos já estão dizendo sentir um cheiro de orégano no ar. Até a mídia tem avançado pouco nas suas investigações. O comentarista político Franklin Martins disse que se as CPIs não mudarem o procedimento e passarem a analisar com mais profundidade os documentos, que são bastantes, não vão chegar a lugar nenhum. Isso até sugere uma nova interpretação para a sigla: Caminho de Percurso Incerto - CPI. São tantas as bifurcações e encruzilhadas que a escolha de um dos trajetos não assegura a chegada ao destino certo: de onde saiu o dinheiro, quem distribuiu e quem recebeu.
O maior problema é o quem, que não sai da boca de nenhum depoente. O presidente da República pede desculpas e diz que foi traído, mas não diz por quem. O PT pede desculpas pelos erros, mas não diz quem os cometeu. Governo e PT dizem que tudo deve ser investigado e os culpados devem ser punidos, sejam quais forem. Afirmação corajosa, mas quem são? Ninguém, a não ser por interesse próprio, duvida que todos estão envolvidos, inclusive o presidente da República. Até o Hélio Bicudo, ex-vice-prefeito petista de São Paulo, em entrevista ao Boris Casoi, afirmou: “O presidente sabe e se não soubesse deveria saber. Sabendo ou devendo saber é igualmente responsável.”
A CPI é comissão parlamentar de inquérito com poder de investigação, mas vem dando mais ênfase ao inquérito que à investigação. As inquirições de dez a quinze horas de duração, com perguntas repetitivas, avançam pouco a investigação, que surte melhor resultado com a procura e apreensão de documentos. O senhor conhece fulano? Não, não conheço, talvez tenha ouvido falar. No dia seguinte aparece fotografia dos dois ou gravação telefônica dos dois tramando alguma coisa. O senhor sabe do empréstimo? O senhor foi avalista? Não, não sei de empréstimo e nem avalizei nenhum empréstimo. No dia seguinte a imprensa publica cópia do documento com a assinatura do mentiroso. E assim vai, uma a uma as mentiras vão sendo desmascaradas e novas mentiras vão sendo feitas. Agora um novo recurso está sendo tentado, a alcagüetagem, através da delação premiada. Até bandidos estão se oferecendo parta “dizer a verdade” com redução de pena. Tudo isso mostra a força da cumplicidade dos envolvidos, confirmada com a declaração de Delúbio, saída em manchete, que “não iria delatar ninguém”. Mas por que delatar se todos se dizem inocentes? Não havendo culpado a denunciar seria desonesto ou mesmo criminoso apontar um inocente como culpado. Em que pesem todos os fatos imputados a Roberto Jefferson, ele foi o único que deu nome aos bois e também não se eximiu de culpa.
Vamos ver até onde vai a força da cumplicidade, que está construindo uma blindagem recíproca. Quem sabe se na hora que algum abrir o bico comece o tiroteio como nos saudosos faroeste.
O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru